Envolto em polêmicas e controvérsias, assisti Grave ou Raw, como queiram chamar, uma produção Franco/Belga, premiado na última edição do Festival de Cannes, longa que traz cenas explícitas de canibalismo, fez pessoas passarem mal e desmaiarem em uma sessão à meia-noite no Festival de Toronto, no Canadá. Mas independente do marketing do filme e tudo o cerca, a grande pergunta fica, o filme é bom? Sim e muito, vamos as considerações.

O longa nos apresenta a personagem Justine, vivido pela atriz Garance Marillier ( ótima em seu papel de estréia, uma jovem vegetariana, introvertida que acaba de entrar na faculdade de veterinária. Na semana do trote ela é obrigada pelos veteranos a comer um pedaço cru de fígado de coelho, um grande choque pessoal para ela, já que ela se recusa a engolir qualquer tipo carne, como é mostrado no inicio do filme. A partir daí, embarcamos em uma viagem sem volta ao mais tenebroso, obscuro e assustador comportamento ou desvio de um ser humano.

Uma coisa a se falar de Raw, e remarei contra a maré, é que ele de forma alguma se encaixa no gênero terror, e sim um drama familiar e porque não pessoal, a roteirista e diretora, também estreante Julia Ducournau, deixa isso bem claro, amarrando a historia de uma forma onde gradativamente a personagem vai descobrindo um lado que estava ali, esse comportamento apenas estava adormecido, e bastava um ‘’gatilho’’ ( o trote e a convivência maior com a irmã, que é a válvula motriz para que Justine entre nesse universo do canibalismo ) para ser despertado. Deixando de lado o terror e fazendo com que o expectador, entenda que estamos diante de um drama e que ela não faz isso para querer ser notada, ou ser diferente. O roteiro faz também um belíssimo trabalho em não ser obvio e nos presenteia com alguns ‘’Plot-Twists’’ que levam o filme de forma bem orgânica e totalmente coerente com a narrativa, alem da grande preocupação com os personagens coadjuvantes, que seguram muito bem o filme ( sua Irma Alexia, e seu colega de quarto Adrien )

E é claro que não poderia deixa de citar a belíssima trilha perturbadora e incomoda, que da todo tom de claustrofobia, agonia, tensão que vive a personagem e que desde o inicio dos créditos, já sabemos que filme esperar

Raw é um filme que fala sobre comportamento humano, onde as barreiras do normal e correto para a sociedade são quebradas de forma crua e explicita, e as inúmeras conseqüências por ela causadas. Um filme que vai ficar na sua memória por um bom tempo, em um final ( sem spoilers ) totalmente coerente com tudo aquilo que vimos e acompanhamos. Sem sombras de duvidas, um dos melhores filmes do ano, dono de umas 4 cenas realmente de se contorcer na cadeira ( tentem resistir a cena do dedo ), o mais incrível, explicito sim, gratuito não. Mas certamente indicado para quem tem estomago forte.

Em cartaz na Mostra: Midnight Movies

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