Entre 13 e 18 de junho, o Rio de Janeiro é palco da sétima edição do Rio H2K. O festival internacional promove as danças urbanas e suas múltiplas vertentes de forma ampla e acessível a todos os públicos e idades. A abertura oficial está marcada para o dia 13, no Teatro Municipal Carlos Gomes, com duas atrações inéditas no Brasil: Lil Buck, jovem dançarino americano de street dance, e Cie Zahrbat, companhia francesa de hip hop e dança contemporânea. No dia 14, Companhia Híbrida, dirigida pelo bailarino e coreógrafo Renato Cruz, apresenta Estéreos Tipos, no Teatro Cesgranrio. De 15 a 18, o Rio H2K ocupa a Cidade das Artes, onde a programação inclui espetáculos, workshops, competições, batalhas de danças, bate-papos e festas.

O Rio H2K tem direção do produtor Miguel Colker. A direção artística é de Bruno Bastos, que divide a curadoria da mostra de espetáculos com o francês Guy Darmet, ex-diretor da Bienal de Dança de Lyon e da instituição Maison de la Danse. “Queremos inspirar as pessoas a dançar. É um festival que coloca mais o público para dançar do que para assistir”, diz Colker, sem deixar de enfatizar o compromisso que eles têm em incentivar e fomentar a profissionalização das companhias de danças urbanas no país, além de investirem em ações sociais em quatro comunidades do Rio, com aulas regulares, durante o ano. “Pela primeira vez, vamos patrocinar um grupo amador de street dance com um prêmio de R$ 15 mil, para ser investido na montagem de um espetáculo que será apresentado na edição do ano que vem”, adianta o diretor.

Desde a sua primeira edição, em 2011, a essência do Rio H2K é a dança urbana e os seus diferentes gêneros, que vão desde os estilos originais que surgiram nos Estados Unidos, entre as décadas de 1960 e 1980 (breaking, hip hop, dance house, locking e popping) até as criações mais recentes (dancehall, krumping, stiletto e videodancing). Em 2014, o festival incorporou com sucesso aulas de sapateado e batalhas de passinho. “Nesta edição, vamos ampliar ainda mais o leque com novas danças. Teremos professores de afromix, coco de roda, jongo, samba e zouk”, explica Bastos. “Nós temos uma parceria com o maior dance camp da Europa, o Fair Play Dance Camp, na Polônia. Na última edição, eles fizeram uma promoção e uma dançarina da Espanha ganhou uma bolsa para vir fazer aulas no festival deste ano. Agora, nós faremos essa mesma promoção para levar um brasileiro para participar do Fair Play, em agosto”, destaca Bastos.

Durante seis dias, a cidade recebe importantes coreógrafos e companhias brasileiras e estrangeiras de sete países: Alemanha, Angola, Coreia do Sul, Estados Unidos, França, Inglaterra e República Tcheca. A programação se concentra na Cidade das Artes. No maior complexo cultural da cidade, o Rio H2K ocupa os espaços tradicionais (Grande Sala, foyer superior da Grande Sala, Teatro de Câmera, Sala de Música Eletroacústica, Sala de Dança e Sala 1) e cria três novos ambientes (Praça, Palco Start e Palco Solar) para receber os workshops e as apresentações do Showcase.

Para quem quiser ter a experiência de viver 24 horas dentro do festival e acampar ao ar livre, na Cidade das Artes, o Kemp é uma oportunidade única. As barracas individuais são dispostas no jardim e estão disponíveis para quem adquirir o “passaporte com acampamento”. A produção oferece vestiários com chuveiros, área de convivência (com pontos de energia), água potável e posto médico. O regulamento completo está disponível no site do evento.

MOSTRA DE ESPETÁCULOS
O festival programou seis espetáculos nacionais e estrangeiros. A abertura oficial do Rio H2K 2017 está marcada para o dia 13 de junho, no Teatro Municipal Carlos Gomes, com duas atrações inéditas no país: Lil Buck & Facundo Estefanell e Cie Zahrbat.

Nascido em Chicago, o jovem dançarino americano de street dance Lil Buck ficou conhecido depois que o cineasta Spike Jonze gravou e divulgou no YouTube a sua performance The Dying Swan, ao lado do violoncelista Yo-Yo Ma, em 2011. De lá pra cá, Buck fez parte da turnê MDNA World Tour, da Madonna; e do show Michael Jackson: The Immortal World Tour, do Cirque du Soleil. Lil virou também queridinho de marcas internacionais. Ele dança com Mikhail Baryshnikov no comercial da linha masculina da Rag & Bone. Criou uma exclusiva linha de sapatos e camisas inspiradas no seu próprio estilo para a Versace e apresenta o fone sem fio do iPhone 7 dançando pelas ruas da Cidade do México. Para a performance The Swan, Lil Buck estará acompanhado do jovem músico uruguaio Facundo Estefanell, que mora no Brasil e é chefe de naipe na Orquestra Sinfônica Cesgranrio, no Rio.

Na mesma noite, a companhia francesa Cie Zahrbat apresenta Sillons. O coreógrafo Brahim Bouchelaghem foca em um dos temas mais essenciais para a dança: o espaço. Cercado por quatro dançarinos de diferentes técnicas – hip hop e dança contemporânea – ele cruza o palco, com paixão e passadas fortes, buscando incansavelmente extrair a essência que rege esse tema, além da área do palco estão escondidos indivíduos, o que os liga ou os separa. Cada artista é responsável pelo seu trajeto e cada individualidade ecoa no grupo, criando uma área comum que dá existência a relacionamentos invisíveis entre os corpos. A batida da música eletrônica tocada por Nicolas Zorzi e a presença magnética dos dançarinos são os elementos que conduzem essa montagem hipnotizante.

No dia 14 de junho, no Teatro Cesgranrio, a Companhia Híbrida, dirigida pelo bailarino e coreógrafo Renato Cruz, apresenta Estéreos Tipos, que faz parte de uma trilogia premiada composta também por Moto Sensível e Olho Nu, que relaciona os temas hip hop e fragilidade. Criada em 2009, a peça foi apresentada por todo o Brasil e em países como Costa Rica e França. Estéreos Tipos, que foi remontada no ano passado em comemoração aos dez anos da companhia, propõe um jogo de relações através dos mitos existentes na cultura hip hop, se organizando cenicamente a partir da estética da arte contemporânea, nas suas fronteiras vazadas entre dança, teatro e filosofia.

Na Grande Sala da Cidade das Artes, o público confere duas apresentações no dia 15 de junho, com os artistas franceses Antoinette Gomis e Enfants Prodiges. Criado e interpretado por Gomis, Images é um solo inspirado na música da cantora e compositora americana Nina Simone. Apontada como um dos principais nomes do cenário da dança urbana francesa, fez parte do musical Kirikou, dirigido por Wayne McGregor, além de ter se apresentado com Madonna, em Nova York, e Chiambretti, no Sunday Night Show, em Milão. Além de dançarina e coreógrafa, Gomis é modelo e já estrelou campanhas para marcas como Nike, Adidas e Puma.

Enfants Prodiges é formado por Frankwa, Bouboo, Malkom, Nelson, Dee, Willow, Marvin, Kefton, Chakal and Kapela – considerados os dez melhores dançarinos da cena hip hop da França. Cada um deles construiu sua reputação por meio de conquistas nas maiores batalhas pelo mundo e por trabalhar com grandes artistas e marcas. No espetáculo Especes, eles alternam, sem esforço, entre várias técnicas e estilos (top rock, house, newstyle, locking, krump, breaking e popping).

MOSTRA NOVOS RUMOS
No dia 17 de junho, o Teatro de Câmara, na Cidade das Artes, recebe a Mostra Novos Rumos, um espaço para jovens companhias e talentos brasileiros mostrarem seus espetáculos. Nessa edição, o Rio H2K programou apresentações dos grupos Brainstorm Dance Company, D-Efeitos e Xstyle Dance Company.

A Brainstorm Dance Company apresenta Físico, Verbal e Emocional, espetáculo que traz à tona a violência contra a mulher. Apesar de polêmico e forte, o tema é abordado de maneira leve e tem como intuito, por meio da arte, construir um mundo com mais igualdade, solidariedade e liberdade.

O grupo paulista D-Efeitos mostra D-Versos, um trabalho que mistura dança urbana e influências da glitch art – estética que tem como ponto de partida “defeitos digitais”, como imagens distorcidas e pixels estourados. O show se ambienta em “Mutrópolis”, cidade-laboratório fictícia dos robôs. Os dançarinos se apropriam de diversos estilos (waving, animation, robboting e warping) para simularem os movimentos das máquinas e as imperfeições que podem vir a apresentar.

Já os cariocas do Xstyle Dance Company apresentam Du Rio, espetáculo que mostra a cidade do Rio de Janeiro por meio de diferentes pontos de vista. No palco, os bailarinos passeiam pelos quatro cantos da cidade, mostrando os inúmeros tipos de cariocas com suas singularidades, conexões, diferenças, qualidades, desafios e perspectivas.

WORKSHOPS
Ministrados por coreógrafos internacionais e nacionais, os workshops de diferentes estilos estão disponíveis para todos os públicos (iniciante, intermediário e profissional). O Rio H2K traz dançarinos que já trabalharam com artistas consagrados do pop mundial, como Britney Spears, Beyoncé, Madonna, Rihanna, Ne-Yo, Usher, entre outros. Os coreógrafos convidados:
Aline e Charles (Brasil e Estados Unidos) – Zouk

A dupla se conheceu na cidade de Nova York. Quando perceberam que ambos eram brasileiros e dançarinos, decidiram unir suas técnicas em parceria. Charles contribuiu com as danças urbanas e Aline, com as de salão. No exterior, ministraram aulas no Boston Brazil Dance Festival, LA Zouk Congress, Fujairah Latin Festival (Emirados Árabes), Brazuka Dance Festival (Moscou) e I’m Zouk (Miami), onde foram surpreendidos quando o vídeo da performance da dupla obteve mais de 50 milhões de visualizações no Facebook. Produziram três de seus diversos vídeos artísticos, sendo que “It won’t Stop” (2014) foi compartilhado no Instagram por Justin Bieber.

SHOWCASE
No dia 16 de junho, 11 grupos nacionais e internacionais amadores, selecionados pelo festival, se apresentam dentro do Showcase, na Grande Sala da Cidade da Artes. São produções que reúnem dançarinos de Brasília, Goiás, Pará, Paraná, Rio de Janeiro, São Paulo e da cidade de Lima, no Peru.

• Abstração – Tela (SP, PR e DF)
• Cia. Crütz – O Tempo (RJ)
• Epifania Dance Project – Capítulo 1 (PR)
• New Way – O Ser em si (RJ)
• Project H[u]mans – Prólogo (SP)
• Project US – About US (RJ)
• Ritmos BASE – Somos só um (SP)
• Sheng – Na casa ao lado (SP)
• Tekamül – Desabafo (PA, SP, GO e DF)
• TFS Crew (Lima|Peru)

A novidade este ano é que, com o intuito de incentivar e fomentar a profissionalização de grupos de street dance do Brasil, o Rio H2K oferece um prêmio no valor de R$ 15 mil para ser investido na montagem de um espetáculo que será apresentado no festival em 2018.

A noite fecha com apresentações de dançarinos cadeirantes da Andef – Associação Niteroiense de Deficientes Físicos e dos projetos sociais que o Rio H2K realiza em Madureira, Caju, Complexo do Alemão, Cidade de Deus e Centro.

RIO H2K BATTLES
No dia 18 de junho, o clima promete ser de competição no encerramento oficial do Rio H2K, na Grande Sala, na Cidade das Artes. O público acompanha a grande final dos duelos do Rio H2K Battles. De cerca de 300 inscritos, 24 são selecionados para participar, sendo quatro de cada categoria: hip hop, popping, locking, house, breaking e passinho. A TV Brasil transmite a final, ao vivo, diretamente do teatro. Os vencedores de cada categoria levam uma premiação em dinheiro (entre R$ 500 e R$ 1.500) e o título de melhor dançarino do seu estilo.

Nas carrapetas, os DJs André Rockmaster (house e break), Bruno X (hip hop, popping e locking) e Jesse Ramiro (passinho) comandam as batalhas, que serão avaliadas pelos seguintes jurados, também responsáveis pelos workshops: Antoinette Gomis (house), Bboy Junior (breaking), Flockey (locking), Hoan (popping), Kefton (hip hop) e Kinho (passinho).

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