Intrigas, paixões, revelações, conquista e traição; elementos de uma novela, comumente conhecida como mexicana, mas que na verdade se encaixa em qualquer descrição de novela. O novo filme da Universal Pictures traz exatamente esse retrato para a mais nova obra de Sofia Coppola. O Estranho que nós amamos traz a história de um internato para mulheres sulistas que, durante a Guerra Civil Americana, hospeda um soldado do Norte. Mas o que deveria ser um ato de solidariedade, acaba se tornando um pesadelo quando todas as mulheres da casa começam a aflorar sentimentos pelo inimigo.

O adversário é o cabo John McBurney (Colin Farrell), que é encontrado na floresta extremamente machucado, pela pequena Amy (Oona Lawrence). A criança o leva ao internato para se recuperar. A anfitriã, Martha Farnsworth (Nicole Kidman) comunica que irão cuidar do homem até que possa andar e abandonar o local por conta própria. A professora das jovens, Edwina (Kirsten Dunst), desenvolve um amor sincero pelo soldado, enquanto uma das alunas mais velhas, Alicia (Elle Fanning), quer simplesmente experimentar os prazeres carnais com o novo visitante.

O hóspede assume alguns papéis ao longo da história: o de pai para as crianças, companheiro para Martha, namorado para Edwina e amante para Alicia. Toda essa confusão de funções confundem o oficial, que está preso àquela casa até sua recuperação. Contudo, não há nenhum confinamento que justifique as ações de John, e logo que as mulheres percebem isso, precisam tomar uma atitude condizente. A guerra, porém, as deixou desacostumadas com a presença de um homem, e o que antes era uma sexualidade reprimida se torna inocência, e a necessidade de retornarem a seus instintos de sobrevivência precisa manifestar-se rapidamente.

A narrativa é interessante, e por se tratar de um longa-metragem, retirou toda a enrolação de capítulos e mais capítulos de uma novela normal. Mesmo assim, a diretora e roteirista Sofia Coppola conseguiu preservar o momento e surpresa do público quando uma nova descoberta é feita (o que normalmente vinha ao final de um capítulo e se desenrolava somente no dia seguinte). O filme é baseado no livro de  Thomas Cullian, e no filme de 1971. Não há dúvidas de que Sofia estava bem abastecida em relação ao material escolhido.

Esse estudo prévio feito pelas obras que vieram antes, certamente permitiu também a ótima escolha de elenco. Apesar de Colin Farrell ser insosso para o papel, ou seja, lhe falta algum tributo que o torne charmoso para tantas mulheres em uma casa só, o fato de não terem visto ou se comunicado com um homem sequer em alguns anos, deixa o comentário passar. Nicole Kidman é impecável no papel da responsável e comprometida dona da casa, Kirsten Dunst e Elle Fanning também não deixam a desejar, e até mesmo as atrizes mirins dão suas melhores interpretações em papéis tão distintos.

Caso queira realmente mergulhar no mundo de O Estranho que nós amamos sem spoiler, não veja o trailer. Se o filme já é um resumo de uma novela que encurtou um livro, o trailer consegue diminuir ainda mais a narrativa e entregar partes muito importantes da narrativa. A adaptação merece ser assistida sabendo somente o contexto histórico do que está acontecendo, que fica claro através da bela arquitetura e cenografia escolhida para a mansão que é palco da história. O filme apresenta de forma simples, mas atraente, um conto que se passa no século XIX e permite ao público sair da sala com a sensação de que carrega um terrível segredo.

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