Quinto longa-metragem de Julia Rezende  (Meu Passado Me Condena 1 e 2, Ponte Aérea e Um Namorado Para Minha Mulher), Como É Cruel Viver Assim conta a história de um grupo de amigos pobres desesperados em ganhar dinheiro. Para completar, Vladimir (Marcelo Valle) está desempregado e  entra em um espiral de desespero ao escutar que sua mulher, Clívia (Fabiula Nascimento), sonha com uma linda festa de casamento. Eis que surge Regina (Debora Lamm), uma amiga do casal, que propõe sequestrar seu ex-patrão, riquíssimo. Vladimir resolve arriscar tudo, certo de que essa é sua grande oportunidade de realizar algo grandioso e de se sentir respeitado pela primeira vez na vida. Ele convida Primo (Silvio Guindane) para completar o time e os quatro começam a tratar dos detalhes do que parece ser o grande golpe de suas vidas. Enquanto tomam as providências práticas, revelam-se suas frustrações, ambições e medos.

Lembrando um pouco a estética de Entrando numa Roubada, a direção de fotografia  de Dante Belutti merece destaque ao misturar a linguagem teatral e cinematográfica à obra.

Com um roteiro simples, prontamente pontuado pelos três atos, a trama se desenvolve com facilidade e muito humor, Como É Cruel Viver Assim é uma comédia dramática sobre a vida como ela é.

Incapazes de realizar qualquer coisa que dê sentido às suas vidas empobrecidas e sem rumo, os amigos se boicotam, à ponto de colocar a vida ordinária que tem em risco. Tratando de questões como ética, moral, auto-estima, esperança e violência, os personagens estão em busca de um lugar ao sol para suprir suas carências e suas solidões. E o cinema é uma oportunidade de refletir sobre a falta de perspectiva do ser humano. Julia Rezende fragmenta as suas cenas e da enfase a versatilidade dos atores. Com um elenco afiado, crível e em total sintonia com a realidade da vida, quer dizer do roteiro.

Infelizmente nem todos realizam seus sonhos, mas nem sempre o cinema açucara a nossa vida, enquanto seguimos em frente.

 

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