A história real de um homem que viveu no submundo do crime e que alcançou a redenção através da luta marcial é o tema central de A última Chance, novo filme de Paulo Thiago que será apresentado em sessão especial no Festival do Rio na sexta-feira, 13 de outubro, na Mostra Panorama do Cinema Mundial. Baseada na vida do ex-presidiário Fábio Leão, a produção narra a trajetória do menino da periferia carioca que se transformou em traficante, assaltante e clonador de carros, mas que reescreveu o seu caminho ao se tornar professor de lutas marciais no presídio.

Protagonizado por Marco Pigossi e Juliana Lohmann, a nova película de Paulo Thiago é uma história de superação, um drama social e uma emocionante história de amor.     É Paulo Thiago quem define seu novo projeto. “A última chance não é um filme de luta. Fábio é um lutador, mas o filme não o privilegia como tal. É a história de um homem com altos e baixos na vida. Que passa e começa pelo crime. Consegue vitórias, vive momentos felizes e de decepções. E vive uma apaixonada história de amor absoluto com Luciana, sua companheira de todos os momentos. A luta o faz tornar-se professor no presídio, instrumento de sua libertação da marginalidade”.

Paulo ressalta que o filme mostra momentos de vitórias de Fábio no ringue, como quando foi campeão carioca e brasileiro de MuayThai, mas salienta que esse não é ponto central de sua história. “Esses momentos violentos não têm o glamour ou o brilho de disputas internacionais. São competições populares. O filme mostra a importância do esporte como educação e vibração”. O diretor explica sua escolha pelo ator Marco Pigossi para viver o ex-presidiário. “Quando escolho um ator sei que ele será o personagem do filme. Assim tenho que intuir e sentir no ator que escolho quem passa a ser ele. Foi assim com o Pigossi, com a Juliana Lohmann e com todos que estão na história. Uma coisa é o Fábio real, cuja vida inspira o filme. Outra é o Fábio do filme. Pigossi não se assemelha ao Fábio da vida real. É o Fábio do filme. Parece um exercício verbal, mas não é”.

O diretor elogia a dedicação e a entrega de Pigossi para viver o personagem. “Ele estudou, ensaiamos durante dois meses, treinou luta e criou um Fábio cinematográfico que será sempre ele. Pigossi é um ator muito concentrado, se coloca e se entrega por inteiro para criar seu personagem. É um excelente ator de teatro e de TV. Está sendo esse Fábio do cinema, que tem seu rosto, sua atuação, seus sentimentos e maneira de ser”.    Para Paulo Thiago o mesmo processo se dá com Juliana Lohmann, que cria a sua Luciana e mostra a saga dessa mulher e de seu grande amor por Fábio. “Juliana foi outra que mergulhou no filme para se reinventar numa Luciana mulher forte, e loucamente apaixonada para acompanhar seu homem. Juliana vai à luta e faz a Luciana pessoal. Apesar de famosa por filmes e na TV (a vi em Faroeste Cabloco), descobri a Juliana após muitas atrizes de sua idade. Quando a vi pela primeira vez lendo um texto do roteiro, identifiquei a Luciana diante de mim. Estou feliz com esses protagonistas, um casal muito forte que passa o drama e a paixão dos personagens que são. Assim como o Erom Cordeiro, que faz Bruno o grande amigo de Fábio, um estupendo ator”.

Sobre sua escolha pela história de Fábio Leão para ser o tema central de seu filme, Paulo Thiago conta que a transformação desse homem foi o que mais lhe chamou a atenção. A história de um brasileiro que consegue vencer a violência, o crime e a pobreza para tornar-se um cidadão comum. Fazer parte da sociedade civil honesta e trabalhadora. Encontrar uma nova conduta ética. “Ele é um exemplo muito importante no nosso País hoje. Talvez só isso já seja uma parte da conquista da felicidade. Uma redenção. O outro ponto é fazer um filme humano, verdadeiro, eu diria humanista, sobre um universo sempre tratado de forma espetaculosa, que tem a violência como clichê. Os tiroteios por todos os lados nas comunidades. Existe a violência, mas também as pessoas comuns. Os violentos que mudam de lado”.

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