A obra Tempuê para Orquestra Sinfônica, de Paulo Costa Lima, fará parte do concerto de abertura da XXII Bienal de Música Contemporânea Brasileira, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, no próximo dia 23 de outubro. A obra foi criada especialmente para a Bienal e será apresentada pela Orquestra Sinfônica Nacional, sob regência do Maestro Tobias Volkmann. Esta é a décima quinta Bienal que o compositor baiano participa. A estreia de Paulo Costa Lima foi em 1983.

“Tempuê é uma obra vibrante, com ritmos dançantes que se misturam a texturas típicas da música contemporânea. Sua estética investe em uma espécie de desconstrução dos limites entre produção de ideias musicais deles (contextos populares) e nossas (música de concerto). Não se trata de misturar coisas distintas, e sim de fazer crescer coisas que pretendem ser ouvidas como entrelugares, objetos transicionais causando encantamento e talvez alguma estranheza”, explica o autor da obra.

A obra foi encomendada por indicação de dez intérpretes de renome nacional, entre músicos e regentes, como resultado de uma consulta feita pela FUNARTE. Os quinze compositores com maior número de indicações foram convidados a escrever uma obra e receberam o Prêmio Funarte de Composição Clássica. Além dos 15 nomes selecionados por indicação, outros 30 foram selecionados por edital e concurso.

“A Bienal tem um nível profissional muito bom. É um evento grande em termos mundiais e se tornou uma marca brasileira muito forte. Esta é, praticamente, a única política pública nacional, no âmbito da cultura, de incentivo à criação, e um diferencial da criação no Brasil”, comenta.

Mais de 100 obras registradas – Paulo Costa Lima é membro da Academia Brasileira de Música (cadeira 21), tendo substituído Luis Paulo Horta. Possui um catálogo com mais de 100 obras e 490 performances registradas, em mais de 20 países. Sua obra já esteve em festivais no Lincoln Center, Carnegie Hall (New York), MusikHaus (Berlin), Pavilhão do Brasil na Expo Xangai (2010), Centro Cultural Brasil-Chile, Sala São Paulo, entre muitos outras salas de concerto. Sua obra mobiliza hoje mais de 60 vídeos no YouTube, e gerou mais de 50.000 visualizações, número bastante significativo no campo da música de invenção.

Paulo Costa Lima foi homenageado pelo III Festival de Música Brasileira Contemporânea- FMCB, dedicado à sua vida e obra (UNICAMP, 2016). É pesquisador pelo CNPq, produzindo obras sobre a cultura musical brasileira, a teoria da composição e análises de canções referenciais da Música Popular Brasileira. Como escritor, é membro da centenária Academia de Letras da Bahia, que já abrigou nomes como Jorge Amado e João Ubaldo Ribeiro. Professor de uma nova geração de compositores da Bahia, nos últimos 10 anos, mais de 10 prêmios da Bienal foram concedidos a seus alunos de composição.

 

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