Foto: Graça Paes

Você entrevistou um ídolo de infância de muitas pessoas, como foi a relação nesse processo de construção de narrativa e pesquisa? O Renato influenciou nas escolhas narrativas e nos depoimentos?
Rodrigo Fonseca – O Renato não teve nenhuma ingerência nas escolhas do livro, o único pedido dele foi capítulos curtos e eu obviamente concordei, até por que essa era ideia desde o inicio. Ele participou nas escolhas das fotos, junto com a mulher dele que é guardiã do acervo dele. Eu tive liberdade total. Foram seis meses de entrevistas continuas, quatro vezes na semana, seis horas e meia de encontros.

Você, como critico de cinema, escreveu o livro já pensando na possibilidade de se tornar um filme futuramente?
Rodrigo Fonseca –Eu gostaria que ele virasse filme, mas não foi escrito com esse intuito. A pretensão é ser um livro divertido. Não é uma pretensão audiovisual, é uma pretensão literária.

Didi e o Caçador de Tesouros – Divulgação

Como foi o primeiro encontro sobre o livro? E como você define Renato Aragão após a finalização do livro?
Rodrigo Fonseca – O meu primeiro encontro com o Renato na vida, na pratica, foi no ano 2000 numa entrevista por telefone. Em 2004, quando ele lançou Didi Quer Ser Criança, eu fui ao lançamento. Mas o primeiro encontro realmente significativo entre nós foi em 2005, quando ele lançou Didi e o Caçador de Tesouros com uma longa entrevista. E ai, esse ano, trabalhando junto no roteiro dos Trapalhões, ele me chamou um dia na casa dele e me falou que tinha resolvido fazer uma biografia sobre ele. Eu logo em seguida perguntei e quem vai ser o biografo, e ele respondeu: Você!. A partir dali começamos o projeto, muito inspirado num acervo de pesquisa que eu tinha. Isso tem cerca de dois anos, foi no meio do processo do programa dos Trapalhões .

Reprodução da internet

Durante o processo de construção do livro , você teve dificuldades em diferenciar a pessoa do humorista?
Rodrigo Fonseca – Nenhuma dificuldade em diferenciar. O Renato é uma pessoa muito tímida, muito introspectiva. Que faz humor é o Didi, que é um ente narrativo, é um personagem que ele encarna.

Podemos esperar novas biografias escritas por você?
Rodrigo Fonseca – Biografias eu não sei, mas novos livros com certeza, eu tô trabalhando numa ficção nova sobre a realidade social que eu cresci que o complexo do Alemão.

*Entrevista feita por telefone

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