Com apenas 7 meses de carreira e venda de mais de 3 milhões de discos, a banda Mamonas Assassinas marcou a história da música POP no Brasil.

Não só por seus impressionantes números atingidos, ou até mesmo a longevidade do seu sucesso depois de 20 anos da morte de seus integrantes com gravação de apenas um álbum em que todas as músicas eram hits. Mas sim por sua identidade animada e irreverente ainda única na nossa música.

Por seu jeito espalhafatoso e debochado, a banda atingiu não só o público adulto daquela época, como principalmente as crianças, que podiam não compreender o teor picante e sarcástico das letras, mas se divertia com o carisma daquela, que é até hoje uma das maiores bandas que o país já teve.

Mas será que hoje, em um Brasil careta e politicamente correto, aonde qualquer piada pode ser considerada ofensiva e preconceituosa, a banda faria o mesmo sucesso?

É na tentativa de responder essa pergunta que o espetáculo “Mamonas Assassinas: O Musical” elabora seu ponto de partida, aonde a história é contada pelos próprios integrantes da banda em forma de anjos com a missão de alegrar um país que não sabe mais rir de si mesmo.

O texto do musical acerta em fugir do estilo dos musicais biográficos brasileiros que estão na moda. Aqui eles se importam mais com seus personagens e sua essência. E por mais que conte a história desde que se conheceram, até o auge do sucesso, usa as características da banda pra fazer graça e buscar o tom irreverente que eles possuíam, sem se levar a sério e brincando com os elementos de narrativa através de metalinguagem. Afinal, como diz o próprio espetáculo, o papel do musical é contar uma história, canta uma música, conta história, e mais uma música, assim sucessivamente.

Se o texto de Walter Daguerre tenta traduzir a essência do grupo, a direção de José Possi Neto estabelece coesão e dinâmica entre os personagens, porque mais do que uma banda eles eram grandes amigos se divertindo, o que consegue ser traduzido de forma bem latente no palco sem se prender apenas as músicas do grupo, trazendo também as que os influenciaram.

E mais do que a relação e humanização de personagens reais, o diretor compõem a atmosfera do grupo em um espaço cênico quase circense utilizando cada posição do palco para estabelecer graça em diversas situações ocorrendo no mesmo momento com um elenco principal afiado, e um elenco de apoio com tanta vitalidade quanto.

Falando em elenco, o quinteto dá um banho: Ruy Brissac impressiona por sua semelhança física e alcança os trejeitos, postura e voz do vocalista Dinho. É assustadora sua presença no palco, quase como se fosse seu personagem original, capaz do mesmo timing cômico e improvisação.

Yudi Tamashiro, ex apresentador do Bom Dia e Cia, aquele mesmo do PlayStation, demonstra bastante profissionalismo e vivacidade no palco, além de ser o melhor dançarino em cena. Adriano Tunes, o que menos se assemelha com o personagem real, mas um dos personagens mais tangíveis e humanos. Elcio Bonazzi e Arthur Ienzura, como os irmãos Samuel e Sergio estão bastante fidedignos aos personagens reais.

E como já citado, o elenco de apoio tem a mesma força. Tanto em interpretação, dança e coro, são responsáveis por segurar o espetáculo mesmo quando dá umas derrapadas ou sofre de números desnecessários como os da Disney, ou do primeiro voo para o exterior com uma paródia de “New York” que não tem muito papel na narrativa, produzindo uma “barriga” no texto, mas é uma boa parodia ao Universo dos musicais.

A inventiva coreografia consegue sair do mais do mesmo e auxilia ao ritmo da narrativa.

Desse elenco de apoio se destacam Patrick Amstalden, um quase cover do Hugh Jackman franzino, que entre diversos personagens interpreta o produtor musical Rick Bonadio com tanto destaque como seus protagonistas, e Bernardo Berro, interprete de figuras como Jô Soares e Faustão, demonstrando imensa capacidade humorística.

É visível o esmero e carinho por aquela história tanto pelo elenco, texto e direção, quanto dos detalhes da superprodução. Figurinos bem elaborados e elementos de cena práticos, moveis, mas que auxiliam a trama ir pra frente.

Minimizando o infeliz final do grupo, sabiamente o espetáculo não decide contar o trágico acidente que tirou a vida deles, mas não menos emotivo, encerrando pra cima com uma mensagem de confiança e perseverança.

Uma linda homenagem e produção que retrata uma banda que animou, e continua a trazer alegria para milhões de pessoas, sendo eternizados em discos, show’s, gravações e agora, em um excelente musical, o melhor do ano até o momento.

Foto: divulgação

Serviço: 
Teatro: “O Musical Mamonas”
Local: Theatro Net Rio (Rua Siqueira Campos, 143 – Copacabana)
Temporada: de 7 de julho a 28 de agosto
Dias e horários: de quinta a sábado às 21h / domingo às 19h

DEIXE UM COMENTÁRIO

Please enter your comment!
Please enter your name here