downloadSetenta anos se passaram e aquele pequeno armário ainda a faz se lembrar dos dias com seu amante. Setenta anos e uma mobília sem vida, feita de madeira, guarda muito mais do que objetos, mas memórias. Setenta anos e tanto a “tia” dos primeiros minutos de “Aquarius”, quanto o armário ainda lembrariam de muita coisa.

O novo filme de Kleber Mendonça Filho nos mostra que não apenas os seres humanos são marcados pelo tempo, mas também objetos. Com a simpatia e o brilho de Sônia Braga, conhecemos Clara, uma escritora decidida a se manter no seu pedaço do passado, isto é, seu apartamento.

Com estantes repletas de livros e LP’s, conhecemos um pouco mais dessa mulher madura, mas que está longe de querer ser tratada como a “vovó coitada”. Em seu início não dá para esperar nada de “Aquarius”, além de um drama sobre uma mulher que passou por um câncer de mama.

Mas aos poucos, os enredos vão mudando, personagens sendo acrescentados e uma direção muito bem pensada apresenta uma história simples, engraçada e tensa. No meio de tantos elogios, o que incomoda é o excesso de cenas de sexo.

Analisando por outro lado, os momentos possuem um contexto maior que demonstra que mesmo que Clara seja mais velha, não precisa negar seus desejos sexuais. Porém, as três cenas que tem dado o que falar beiram a um pornô por mostrar demais dos atores.

Entre cenas de sexo e uma trama simples, a montagem é o que traz a tensão à tona. Brincando com o passado e futuro, sonho e realidade, Aquarius sabe trabalhar com a expectativa, mantendo o espectador ávido por mais. Quando percebe, já se passaram duas horas.

Nesses 145 minutos, o alívio é a trilha sonora. Com clássicos do Queen e Gilberto Gil, música e história trabalham juntos, dando uma maior complexidade para as cenas, contando um pouco mais da vida de Clara.

E como sendo mais um marco desse novo cinema brasileiro, o que se percebe é mais um traço de boa qualidade, mas também uma inspiração no cinema europeu, com seus “finais sem final”. Característica também presente em “Mãe Só Há Uma”. Agora, só se pode torcer para que Sônia Braga e “Aquarius” estejam presentes no Oscar 2017.

Foto: Victor Juca

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