Nos anos 60 ocorreu um movimento cultural conhecido como Cinema Novo, onde jovens cineastas começaram a produzir películas voltadas unicamente para a situação social do Brasil, sem qualquer maquiagem. Essa é a premissa básica do documentário e da introdução desse período histórico, entretanto, o que o longa em questão propõe vai muito além dele.

A obra de Eryk Rocha se mostra como uma aula de cinema, pura e simplesmente. Sua estrutura básica conta com os depoimentos, gravados na época, dos envolvidos nesse Movimento como Glauber Rocha, Saraceni e Ruy Guerra. É justamente na fala deles que as esperanças e sonhos com relação ao cinema nacional são explicitadas. As costuras das imagens de filmes da época, remasterizadas, funcionam como um cunho narrativo muito competente, pois, apesar de serem de obras diferentes elas conseguem criar uma historia que lembra muito o Cinema Surrealista (estilo esse que foi uma das inspirações do Cinema Novo).

O objetivo do Cinema Novo era gritar a plenos pulmões que o Brasil tinha muito mais a mostrar do que as chanchadas, Carmen Miranda ou o futebol. Dito e feito, as obras posteriores atraíram os críticos internacionais, que começaram a prestar atenção nas mazelas sociais brasileiras como 5x Favela de 1962, à violência desenfreada no sertão nordestino em Deus e o Diabo na Terra do Sol ou a corrupção do governo e dos movimentos sociais de esquerda em Terra em Transe.

Por fim, o documentário de Eryk Rocha conta com depoimentos maravilhosos dos grandes cineastas da época e uma esperança para o futuro do cinema nacional. Vencedor de um L’ OEIL d’ or (Olho de Ouro) de melhor documentário no Festival de Cannes Cinema Novo é uma aula completa, uma declaração de amor ao cinema brasileiro e uma homenagem dos membros da produção aos seus pais, que foram os criadores do movimento.

Em cartaz na Mostra: Première Brasil: Hors Concours longa documentário

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