nocheFrancisco Sanctis já foi Leonardo Medina. Escreveu um único poema em toda sua vida. É um burocrata de classe média. Pede aumento. Ganha um prêmio: uma caixa de mantimentos. Encontra Elena, ex-colega da faculdade. É casado com Angelica. Tem dois filhos. Javier e Emilia. Conta uma história de ninar. Sai pra comprar um vinho branco gelado. Mas não tem gelado. Anda algumas ruas. É noite está escuro. Encontra Perugia. Tomam uísque e jogam sinuca. Entra no cinema mas não vê o filme. Pega um ônibus. Quer ajudar a Julia e o Bernardo. Mas não sabe como a rua continua. Pega um táxi. Toca uma música brega e não tem dinheiro. Paga a corrida com o relógio. Chega na rua Lacarra. Acorda companheira, que a luta nos espera.

Francisco Sanctis é personagem de um romance de Humberto Costantini que virou filme de Andrea Testa e Francisco Márquez. A noite é longa mas o filme é curto. São oitenta concisos e intensos minutos sobre a decisão de Francisco. Com um tom hitchcockesco, a noite é escura mas o filme não é noir. Buenos Aires, 1977, repressão a céu aberto e sumissos sob noite escura.

Francisco Sanctis é um dos muitos silenciosos da(s) ditadura(s), daqueles que não se metem. Até que se vê metido nesse mundo opressivo. E vive a sua própria noite interior.

Preciso e precioso.

Em cartaz na Première Latina.

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