Uma das mais importantes obras do romancista, contista e teatrólogo baiano Dias Gomes, O Bem-Amado foi escrito há cinquenta e quatro anos e se tornou um importante recorte da realidade social e política brasileira daquela época. Após cinco décadas, o livro está mais atual do que nunca e reflete de forma surpreendente a dura realidade do nosso país. Afinal, os desmandos e absurdos cometidos pelo personagem Odorico Paraguaçu na fictícia Sucupira continuam presentes na cena política de nossos dias demonstrando que quase nada mudou. Os neologismos de Odorico, imortalizado na obra do romancista para o teatro e a televisão, pode ser facilmente reconhecido nos discursos de nossos “representantes” de hoje.

Foi ao analisar as semelhanças entre o Brasil de ontem e hoje e perceber que ainda temos muitos “Odoricos” circulando com ideias tão mirabolantes e atitudes sem propósito como as do personagem de Dias Gomes, que o Instituto Oldemburg de Desenvolvimento idealizou a exposição O Bem-Amado, de Dias Gomes – Sucupira é aqui, é ali é o Brasil, que será inaugurada no dia 22 de novembro, na Galeria Arte e Literatura, da Biblioteca Estação Leitura, na Estação Central do MetrôRio. A exposição, com entrada franca para os usuários do Metrô, é mais uma edição do projeto Vivências Lúdico-Literárias e tem o patrocínio da Secretaria Municipal de Cultura, por meio do Programa de Fomento à Cultura Car ioca, e o apoio do MetrôRio, do Instituto Invepar e Estácio.

“Essa exposição traz à cena, de forma bem-humorada, uma reflexão sobre a democracia que, na prática, muitas vezes não nos livra dos Odoricos, personagens eleitos ou impostos, frutos da alienação e do oportunismo”, diz Cristina Oldemburg, presidente do Instituto, A exposição O Bem-Amado, de Dias Gomes – Sucupira é aqui, Sucupira é ali, Sucupira é o Brasil, tem como objetivo traçar um paralelo entre as diferenças e semelhanças que encontramos Brasil afora. Essa proposta poderá ser vista através de 18 registros feitos por Cristina Oldemburg e seis pelo fotógrafo baiano Rodrigo Macedo nas cidades de Belmonte e Ilhéus, no interior da Bahia, e em bairros da zona norte carioca como Cascadura, Pilares, Cavalcante, e Engenheiro Leal, entre outros. Dessa forma, os visitante s poderão fazer uma viagem pelas imagens desses cenários reais e pelos fragmentos da obra do teatrólogo, recheadas das frases mais marcantes da obra do autor.

Cristina Oldemburg explica que as 24 fotos selecionadas especialmente para a exposição, constituem um rico mosaico de moradias populares das cidades do interior do país e também dos subúrbios do Rio de Janeiro. “As imagens das casas simples simbolizam a vida periférica do povo brasileiro. Ao mesmo tempo mostram uma alegre e colorida resistência, de quem sabe sorrir e ser feliz mesmo na adversidade. Esse povo, que a cada ano elege os Odoricos de norte a sul do Brasil, é o mesmo que num dia futuro será o dono do seu próprio destino”, avalia. “Passaram-se 54 anos. Hoje estamos revivendo Odorico Paraguaçu, personagem emblemático dos políticos corruptos das cidades do interior, desenhado com fina ironia por Dias Gomes, que continua atravessando as décadas sem nunca perder sua atualidade”.

A atualidade da obra de Dias Gomes

A peça teatral O Bem-Amado, de Dias Gomes, foi escrita em 1962 e encenada pela primeira vez em 1969, no Teatro Santa Isabel de Recife. Em 1970, uma nova montagem estreou no Teatro Gláucio Gil, no Rio de janeiro, tendo Procópio Ferreira protagonizando o político Odorico Paraguaçu, esse personagem ímpar criado por Dias Gomes.

O texto surgiu numa época em que a dramaturgia brasileira procurava pesquisar a nossa realidade social e política, para, em seguida, num esforço de síntese, elaborar certa tipificação cultural do nosso povo. Dias Gomes, em particular, buscava apresentar, através de seus textos, não apenas a diversidade cultural dos mais recônditos lugares do Nordeste, mas também as mazelas da população, transformando sua arte em instrumento de conscientização da condição humana.

Oficinas da exposição O Bem-Amado, de Dias Gomes – Sucupira é aqui, é ali é o Brasil

O público visitante poderá participar das oficinas que acontecerão ao longo da permanência da exposição na Estação Central do MetrôRio. As arte-educadoras Krika Silva e Maribel Albreschtt apresentarão as atividades, após visita guiada à exposição, de duas formas: na de Maribel, os jovens irão participar de uma pequena oficina de teatro, um jogo, uma brincadeira de ator, através da leitura de uma das cenas da peça “O Bem-Amado” que trata do discurso de Odorico quando ganha a eleição. Cada participante escolherá um acessório e um personagem para interpretar e contracenar com a arte-educadora Maribel Albreschtt. Após a atividade com os alunos, Maribel irá apresentar uma leitura dramatizada de outro ato da peça. Krika ministrará uma oficina e m que cada participante terá a oportunidade de entrar em contato com três linguagens artísticas diferentes: fotografia, desenho e literatura. Após apreciarem as imagens e os textos expostos, eles receberão uma cópia de uma das fotografias que compõem a exposição. Em um papel vegetal, colocado sobre a foto, vão poder colorir com lápis de cor e canetas hidrocor interferindo livremente na imagem. Os alunos serão orientados a deixarem alguns espaços da imagem sem pintura para que preencham com uma caneta preta esse espaço com palavras e expressões do vocabulário de Odorico Paraguaçú, prefeito de Sucupira que tem como principal projeto de sua campanha a construção de um cemitério e dono de um vocabulário único e curioso. Dessa maneira os alunos poderão criar um novo olhar sobre a fotografia, imprimindo de forma livr e suas expressões e impressões sobre o tema, numa brincadeira lúdica e artística, integrando as três linguagens.

Serviço:
Exposição O Bem-Amado, de Dias Gomes – Sucupira é aqui, é ali é Brasil
Local: Galeria Arte e Literatura (anexa à Biblioteca Estação Leitura, na estação Central do Metrô Rio)
Data: De 22 de novembro a 28 de fevereiro
Entrada franca

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