image005-1Antes de começar essa resenha, gostaria de deixar um questionamento para no mínimo, refletirmos. Por que nós seres humanos, em sua grande maioria, só percebemos e reconhecemos que erramos, que falhamos, quando estamos em uma situação eminente de perda ou da derrota certa? Por que quando estamos vivendo, não conseguimos expressar?

Engraçado que essa analise é de um longa chamado Invasão Zumbi, e com certeza no final dessa resenha, poderemos responder ou como pedi, refletir sobre.

Invasão Zumbi é um filme coreano que por onde passa vem dando o que falar, dirigido por Yeon San-ho, é mais um exemplar do gênero apocalipse zumbi, que pra muitos, inclusive pra mim, já esta em viez de queda, devido a não ousadia de seus produtores ou pela equivocada ideia de acharem que o que queremos ver, ser resume a zumbis correndo enlouquecidamente.

Partindo do principio que você não esta assistindo uma obra americana, esteja certo e preparado que aqui, o obvio não acontece, o roteiro trivial cai por terra e toda cartilha do politicamente correto que vemos nas produções americanas, e jogada no lixo, isso é muito bom porque estamos diante de um cinema onde as regras são ditas por eles, doa a quem doer.

E é ai que esse filme começa a te ganhar, logo no inicio, vemos que algo aconteceu em uma usina nuclear e só, isso já basta para sabermos que as conseqüências serão devastadoras e o principal, como isso afetará o cotidiano das pessoas. A partir daí somos convidado a conhecer um pai viciado em trabalho, divorciado que é convencido pela filha que mora com ele, há passar um tempo com a mãe, eles pegam um trem a caminho de Busan, ao mesmo tempo em que se espalha uma epidemia zumbi por toda Coréia, um desses zumbis acaba entrando no trem e o caos se instala. Agora só um aviso, segura na cadeira porque a ‘’montanha russa’’ mais insana da sua vida vai partir.

Yeon San-ho tem um domínio impressionante da direção em toda a totalidade do filme e, mesmo na “aparente” forma lenta de iniciar a história, há um tipo de tensão no ar, deixando claro que algo muito ruim está para acontecer a qualquer momento. Essa atmosfera se estabelece muito rápido. O personagem principal é apresentado e, já de início, nossa imensa antipatia por ele aflora. Um dos caminhos mais impressionantes é como a crítica social que o universo dos zumbis nos traz, ganha espaço no filme sem nenhum tipo de artifício gratuito para estabelecer o vilão (vivo ou morto-vivo), e como idéias de exclusão de outrora, a partir do medo ou mesmo da má fé, pode fazer de cidadãos comuns verdadeiros bandidos segregadores. Aos poucos, idéias como resistência à contaminação e sentimento comunitário são dissecadas pela fuga dos personagens, tendo como linha central um trem para a cidade de Busan, onde o protagonista está com sua filha ( essa garotinha esta incrível no papel). O conflito familiar trabalhado na abertura passa de repente pra uma zona neutra e a luta pela sobrevivência fica clara, onde as diferentes situações de desespero e sobrevivência moldarão as decisões.

Em um cenário catastrófico de contaminação e extermínio, é legítimo dizer que a maioria das pessoas perde todo tipo de escrúpulo e apego aos outros? A luta pela própria vida vale mais do que a defesa dos que estão próximos? A lógica do “antes você do que eu” é a vencedora nesse tipo de ocasião? Essas questões são respondidas nas diversas cenas absurdamente tensas e muito bem dirigidas, amparadas é claro pelas ótimas atuações do cast principal e dos coadjuvantes, como se o diretor quisesse nos fazer ver e sentir a descida de todos ali aos seus infernos particulares.

Invasão Zumbi é uma mistura de Extermínio com Expresso do Amanhã, mas em doses cavalares, com uma excelente fotografia, efeitos especiais e práticos bastante convincentes, e carrega uma carga dramática onde os medos serão testados, o caráter moldará as decisões, e o mais importante, te faz olhar pra dentro.

Se é o melhor filme de zumbi do ano ou dos últimos tempos? Não, é o melhor do gênero e pronto.

 

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