Norte da França, 1910. A família Van Peteghen resolve passar suas férias na sua casa de veraneio, uma enorme mansão em Pas-de-Calais. Contudo, o que era para ser um tempo de descanso, acaba se tornando um convite ao mistério, às transformações e reviravoltas inesperadas. Acontece que alguns moradores andam desaparecendo da cidade e não há nenhuma pista de seu paradeiro. Tudo está nas mãos de dois detetives muito atrapalhados nesta misteriosa comédia francesa.

A mansão em que a família passa seus verões fica entre o encontro do rio com o mar (a costa Chanel), e já que dispõem de boa condição monetária possuem alguns trabalhadores aguardando-os para fazer a travessia constantemente, um desse é Ma Loute (o nome original da obra). Esse jovem peculiar se envolve com Billie , o único filho homem do casal, que gosta de se vestir de garota como suas irmãs. Ma Loute é a chave para a resolução de todos os mistérios que envolvem a cidade, mas algumas pessoas podem sair prejudicadas se essas descobertas chegarem aos ouvidos errados.

O primeiro elemento que se nota no filme é a fotografia e utilização das cores no figurino e na Fotografia. Enquanto, os Van Peteghen chegam a cidade com cores alegres, trazendo a animação por estarem ali, a família de Ma Loute usa um azul triste e monótono. Tudo isso ao redor de um fundo acinzentado que trabalha para destacar as nuances mais suaves do rosto dos personagens, como seus olhos e lábios. O diretor também aproveita para brincar com o uniforme preto e sério dos detetives, que destoa completamente de suas personalidades.

Este é um longa que precisa ser visitado com mente aberta. O tipo de comédia utilizado é a pastelão, repetindo piadas e utilizando a violência para tentar provocar um riso que custa a sair. Além disso, os atrapalhados detetives Malfoy (Cyril Rigaux) e Alfred Machin (Didier Despres) são uma versão francesa de “O gordo e o Magro”, infelizmente mal executados durante a trama, que constantemente varia entre o sério e a tentativa de humor.

Apesar de haver dois círculos dramáticos centrais – a investigação dos desaparecimentos e o estranho relacionamento de Ma Loute e Billie Van Peteghen – e possuírem grande potencial, as justificativas finais parecem não preencher completamente as lacunas que semeiam desde o começo da trama. Mesmo que cada personagem tenha sua própria história, motivada por algo ocorrido no espaço ou tempo, que se desenvolve ao longo da trama, há muitas falhas na tentativa de conectar todos ao fim.

Mistério na Costa Chanel é uma história que surpreende principalmente por ser vendida como comédia, mas apresentar algo muito mais fantasioso do que se espera. Existem muitos elementos fictícios adicionados e introduzidos de repente, o que causa estranhamento, mas constitui o que o diretor esperava de toda a sua jornada de trabalho nesta obra: um mistério para além do que se vê na tela, um mistério para a mente humana se questionar, mesmo depois de deixar o cinema.

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