A Mostra Novo Cinema Indiano apresenta uma programação inédita no Brasil, com 10 filmes selecionados pelos curadores Carina Bini e Shankar Mohan, produzidos nos últimos três anos e que representam uma nova geração de cineastas indianos. Serão exibidos longas-metragens produzidos por realizadores que buscam narrativas menos convencionais dentro da cinematografia do país. Filmes ao mesmo tempo reflexivos e de apelo popular, que transitam entre os festivais internacionais de cinema de autor e o grande público, estabelecendo um verdadeiro contraponto ao estereótipo associado à indústria de Bollywood.

As produções presentes na mostra Novo Cinema Indiano foram realizadas em sete regiões da Índia, consequentemente, são filmes falados em sete de suas 18 línguas oficiais – desde longas-metragens feitos na remota região de Assam, nordeste do país, onde se fala a língua Bodo, até filmes dos estados de Tamil Nadu e Kerala, na região sul, a responsável por 50% da produção de filmes indianos.

Entre os destaques da programação estão o filme de abertura da mostra Armadilha, com direção de Jayraj, uma adaptação de texto de Anton Chekhov que mostra o protagonista recomeçando sua vida após a morte dos pais (vencedor do Urso de Cristal em Berlim 2016); Ilha de Munroe, dirigido por Manu, que aborda o conflito de gerações na Índia dos dias de hoje (prêmio de melhor diretor estreante no John Abraham Award); Projetista, de Kaushik Ganguly, que traz a história de um homem e sua luta pela sobrevivência de um cinema de rua na Índia voltado para exibição de filmes em película; O ovo do corvo, assinado por M. Manikandan, que narra as aventuras de dois meninos que sonham em conseguir dinheiro para comprar uma pizza (premiado como Melhor Filme Infantil e Melhor Ator no Indian National Awards e seleção oficial do Festival de Toronto); e O Navio de Teseu, primeiro filme de Anand Gandhi, aclamado na Índia (prêmio de melhor filme e diretor do Indian National Awards, prêmio melhor cinematografia do festival de Tóquio, entre outros prêmios internacionais). Vale citar ainda Apur Panchali, inspirado na história da vida de Subir Banerjee, o ator mirim que interpretou o papel icônico de Apu no consagrado filme Pather Panchali, do diretor Satyajit Ray.

Filmes:

Projetista (Cinemawala)
Direção: Kaushik Ganguly. 2015, 105 min, livre. Região/Língua: Bangala/ Bengali. Seleção oficial do Festival Internacional de Cinema da Índia; participou de vários festivais no país.

Um projetista de filmes aposentado se esforça para evitar que seu cinema seja demolido. O tema do filme é um tributo às salas individuais de cinema com projeção em película que estão rapidamente se tornando raras na Índia, ultrapassadas pelo avanço da tecnologia digital.

Kaushik Ganguly é diretor, roteirista e ator do cinema de Bengali. Ele é conhecido por abordar temas de sexualidade, como relacionamentos lésbico e transexuais. Ganhou o prêmio de melhor diretor no 44º Festival Internacional de Cinema da Índia.

Ilha de Munroe (MundroThuruth)
Direção: Manu. 2015, 92 min, 12 anos. Região/Língua: Kerala/Malayalam.

Seleção oficial do IFFK (International Filme Festival of Kerala – 2016) e do Jio Mami (Mumbai International Film Festival), um dos festivais mais prestigiados do país. Prêmio nacional de melhor filme no prestigiado Aravindam Memorial Award, e Prêmio John Abraham Award, como melhor diretor estreante e melhor filme na língua malayalam.

Adolescente rebelde, mas amoroso, Keshu e seu pai chegam à casa de seus ancestrais na Ilha de Munroe, onde o avô vive com Kathu, a empregada. O pai quer levar Keshu para um tratamento psicológico adequado, mas o avô, que está convencido de que seu filho está sempre errado, não suporta a ideia. Apesar das advertências graves, ele quer que seu neto fique na ilha e literalmente planejar seu futuro.

Geragalu
Direção: Nikhil Manjoo. 2015, 90 min, livre. Região/Língua: Karnataka/Kannada.
Seleção oficial do 46º IFFI (International Filme Festival of India), um dos mais importantes festivais do país.

O filme narra a história do artista clássico Yakshagana – cujo enorme sucesso, prêmios e nomeações lhe subiram à cabeça. A vida de Gaffur Khan não é totalmente um mar de rosas. Ele não consegue digerir seu sucesso e, em vez disso, torna-se um incômodo para a família e a sociedade. No fim das contas, é seu próprio neto que vem como um instrumento em sua vida e traz mudanças.

O ovo do corvo (Kaaka Muttai)
Direção: M. Manikandan. 2014, 109 min, livre. Região/Língua: Tamil Nadu/Tamil
National Film Award 2015: Melhor Filme Infantil e Melhor Ator Mirim; Filmfare Award para Melhor filme na língua Tamil; Seleção Oficial do Festival de Toronto – 2015.

Quando uma pizzaria é aberta em um antigo parquinho, dois meninos pobres são consumidos pelo desejo de saborear este novo prato. Percebendo que uma pizza custa mais do que a renda mensal de sua família, eles começam a planejar maneiras de ganhar mais dinheiro – começando inadvertidamente uma aventura que irá envolver toda a cidade.

O fabricante de caixão (The coffin maker)
Direção: Veena Bakshi. 2013, 123 min, livre. Região/Língua: Goa/ Konkani-Inglês.
National Film Award 2013 para Melhor Filme da Língua Inglesa.

Filmado numa pequena aldeia de Goa, o filme conta a história de Anton Gomes, que vem de uma família de carpinteiros tradicionais que passam a fabricar caixões quando as circunstâncias difíceis os deixam sem emprego e dinheiro. Anton passa a ficar pessimista e desiludido. Até que um dia, a morte desafia sua vida.

Armadilha (Ottaal)
Direção: Jayaraj Rajasekharan Nair. 2015, 81 min, 12 anos. Região/Língua: Kerala/Malayalam.

Urso de Cristal de melhor filme no Festival de Berlim 2016; Kerala State Film Award – Melhor Filme; National Filme Award – Melhor Roteiro; National Filme Award – Melhor Filme Ambiental.

Adaptação de uma de “Vanka”, de Anton Chekhov. Kuttappayi, um jovem rapaz, encontra-se triste e desesperado quando começa a escrever uma carta para o avô em um lugar sombrio e escuro. As recordações de Kuttappayi nos levam aos locais pitorescos de Kuttanad, onde Kuttappayi e seu avô, Valiyappachayi, estão chegando com seus patos. A aldeia é muito agradável, mas o motivo que o leva até lá é a morte de seus queridos pais. Com esperança e liberdade, ele está prestes a começar sua nova vida entre o carteiro da aldeia sem cartas, o cão sem nome, o rapaz rico, Tintu e muitos outros.

Punhalada no coração (Katyar Kaljat Ghusali)
Direção: Subodh Bhave. 2015, 161 min, livre. Região/Língua: Maharashtra/Marathi.
Seleção oficial do 46º IFFI (International Filme Festival of India), um dos mais importantes festivais do país. Distribuição Nacional com bilheteria de 5,9 milhões de dólares.

Por que a garganta está localizada equidistante entre o cérebro e o coração? O que levou a Providência a colocar a voz entre o intelecto e a emoção? Este musical tenta explorar exatamente o tema do ego, através da história do cantor Sadashiv e seus dois gurus – Panditji e Khasaheb.

Navio de teseu (Ship of Theseus)
Direção: Anand Gandhi. 2013, 144 min, livre. Região/Língua: Mumbai/Hindi e Inglês
Selecionado para a première do IFFI (International Film Festival of India); Prêmios de Melhor Filme do ano de 2013 no National Film Awards; Melhor Filme no Festival Internacional de Cinema de Transilvânia; Melhor Cinematografia no Festival Internacional de Cinema de Tóquio; Melhor Atriz no Festival Internacional de Cinema de Dubai; Prêmio do Júri de Excelência Técnica no Festival de Cinema de Mumbai.

Se as partes de um navio são substituídas, pedaço por pedaço, esse é ainda o mesmo navio? Uma fotógrafa diferente lida com a perda de sua visão após um procedimento clínico; um monge erudito enfrenta um dilema ético frente à sua ideologia de vida e tem de escolher entre seus princípios e a morte; um jovem corretor da bolsa de valores, seguindo o rastro de um rim roubado, aprende como a moralidade pode ser complexa.

Que assim seja (Astu)
Direção: Sumitra Bhave e Sunil Sukhtankar. 2014, 135 min, livre. Região/Língua: Maharashtra/Marathi

Melhor Roteiro, Diálogo e Melhor Atriz Coadjuvante no 61º National Film Awards 2014, o mais importante prêmio do cinema indiano.

Inspirado numa experiência vivida pelo protagonista do filme. O relacionamento entre pai e filha, quando o pai, um doutor em sânscrito aposentado, que sofre de Alzheimer, desaparece e é encontrado por um casal andarilho que cuida de um elefante, e passa a viver o seu momento a cada dia…

Apur Panchali
Direção: Kaushik Ganguli. 2013, 97 min, 12 anos. Região/Língua: Bengala/ Bengoli

O filme é uma homenagem a um dos mais célebres atores mirins do mundo Subir Banerjee, que interpretou o papel icônico de Apu no consagrado Pather Panchali, de Satyajit Ray. Lançado nos cinemas em agosto de 1955, o filme é lembrado até hoje como uma marco do cinema indiano. Mas, ironicamente Subir “Apu” Banerjee nunca atuou em qualquer outro filme.

Serviço:
NOVO CINEMA INDIANO
Data: 6 a 15 de janeiro de 2017
Local: CCBB (Rua Primeiro de Março 66, Centro)
Salas de Cinema 1 (98 lugares) e 2 (50 lugares) – Ingressos: R$ 10 e R$ 5 (meia).

Foto: Divulgação – Ovo do Corvo_Fox Films India

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