Há males que aterrorizam a mente de forma tão profunda, mas que são invisíveis aos olhos humanos. Sob as sombras conta a história de mãe e filha, que tentam fugir da guerra entre Iraque e Irã após o pai ser forçado a viajar. Além de conviverem com a batalha, descobrem que algum ser misterioso vive em seu apartamento. Mas será esse monstro um elemento sobrenatural ou uma ameaça imaginária?

Há dois modos de se interpretar essa obra: ela pode ser mais um filme de terror com espíritos e demônios cuja única inovação é o lugar onde tudo se passa, ou pode ser o horror de uma criatura que assombra tantas pessoas na nova era, uma metáfora para problemas psicológicos e transtornos causados pela situação que a mãe Shideh (Narges Rashidi) e a filha Dorsa (Avin Manshadi) enfrentam. Essa meio “Babadook” de se ler o filme é o que o torna uma interessante obra original da Netflix.

Ambientado em Tehran, cidade do Irã, nos anos 80, o filme ainda leva o espectador a retornar a um cenário que, apesar de quase quarenta anos terem se passado, ainda mostra um mundo com sede por sangue. Além dos comentários políticos e a abordagem acerca da opressão feminina nos países do Oriente Médio que o diretor e escritor Babak Anvari oferece, Sob as sombras também atinge o ponto das discussões sobre a complexidade psicológica de se ter que viver ao lado de uma cidade e sociedade que oferecem a segurança de uma bomba-relógio.

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