Criado em 1933, o gorila gigante mais famoso do cinema recebeu ao longo dos seus mais de 80 anos um total de 8 filmes, “Kong” é o oitavo filme dessa lista.

A história de King Kong original conta quando ele é encontrado na Ilha da Caveira por uma equipe de cinema que busca fazer um filme na ilha, e com a descoberta do monstro, o ambicioso diretor fracassado resolve leva-lo a Nova York para mostrar sua descoberta ao mundo, mas a atriz do filme, a qual Kong se apaixona, tenta libertá-lo, então Kong escapa deixando um rastro de destruição até ser encurralado no Empire State Building na clássica cena aonde ele é morto pela queda.

Em “King Kong e a Ilha da Caveira” a história recebe uma modernização e seu pano de fundo é alterado, o macaco não vai para Nova York, sendo a ilha o ponto central do filme.

Com a narrativa sendo estabelecida na misteriosa ilha, o filme pode abordar mais a mitologia e o ecossistema do local. A aventura atual é sobre um cientista (John Goodman) interessado em provar a existência de criaturas terrestres desconhecidas, que consegue financiamento para uma expedição com o governo dos EUA alegando que o país deveria chegar na ilha inexplorada antes da Rússia. Assim, ele se une a um pequeno batalhão do exército americano comandado por Samuel L. Jackson , uma fotógrafa (Brie Larson), uma dupla de cientistas, e um especialista à lá Indiana Jones (Tom Huddleston).

Os primeiros 40 ou 50 minutos são maravilhosos e irretocáveis. A cena que abre o filme, além de visivelmente impecável tanto em design de produção, como fotografia e efeitos visuais, estabelece uma sequência de ação empolgante.

Assim como a apresentação dos personagens que é muito bem sucedida em uma montagem ágil, e por mais que se trate de arquétipos de personagens já desgastados traz brilho pelo grande elenco, a trilha Pop acelerada, e ótimas escolhas visuais. A mudança de cores e iluminação na apresentação do militar enlouquecido pela guerra interpretado por Samuel L. Jackson é de uma beleza sutil e referência dos animes.

O diretor Jordan Vogt-Roberts, que antes tinha feito apenas um filme, se demonstra um nerd de carteirinha. Ao longo dos 120 minutos de duração existe uma trilha de referência da cultura POP e GEEK. O visual e estrutura muito se assemelham aos games, assim como a composição das cenas como se fossem novos levels em cenários e inimigos diferentes.

Referências ao cinema também são latentes, que vão de “Apocalypse Now”, “Predador”, “Platoon”, à aventuras dos anos 80 e 90, principalmente das obras de Steven Spielberg. A influencia mais evidente é mesmo “Jurassic Park”, tanto em visual, quanto tema e estilo de produção.

Talvez pelo excesso de referencias de cinema, games, animes e HQ’s, o longa pese a mão e soe por vezes exagerado. Tudo aqui é grandioso. O trabalho de som, tanto de desenho de som, edição de som e trilha incidental dão estofo de forma bem sucedida à aquele universo misterioso, por mais que o filme merecesse desacelerar e momentos silenciosos.

Vogt-Roberts demonstra grande talento tanto em construção de sequências de ação como na cena da chegada dos helicópteros na ilha e o ataque de Kong, e se esmera em construções visuais significativas relacionadas a política utilizando um bobble head de Richard Nixon em momentos chaves, por exemplo.

Só que se de um lado, o diretor tenta propor discussões até pertinentes, o roteiro descarta. “Kong: A Ilha da Caveira” tem um roteiro deveras superficial e sofre de seu excesso de personagens. O que é tão bem apresentado inicialmente é depois jogado de lado e surge apenas como arquétipos, e os possíveis personagens centrais não tem nem arco dramático.

O personagem de Tom Hiddleston parecia que iria demonstrar um lado mais espirituoso e aventuresco, assim como Brie Larson e sua fotografa anti-guerra. Os dois são subdesenvolvidos e parecem tímidos na trama.

O destaque fica por conta dos soldados que possuem humor em diálogos ágeis, e a figura tragicômica interpretada por maestria por John C. Reilly, mestre em dar vida a sujeitos estranhos e engraçados. Seu personagem apresenta a mitologia da ilha, e é o único com um arco dramático mais bem delineado.

Mesmo com algumas derrapadas narrativas, e situações mal resolvidas em montagens clipadas utilizando músicas famosas, o longa tem um ritmo intenso e apresenta uma aventura enérgica, e uma raridade para os blockbusters, uma ação com bastante violência gráfica.

Não é uma aventura perfeita, mas diverte e muito, além de modernizar o personagem e trazer uma nova franquia que vai se consumar com “King Kong Vs. Godzilla”.

Vale muito o ingresso e principalmente em 3D, recurso super utilizado atualmente, mas com poucos títulos que merecem a exibição na tela. Em salas IMAX a experiência visual fica ainda mais visceral e divertida.

PS: Possui uma ótima cena pós créditos

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