Festival que acontece  na Escola de Cinema Darcy Ribeiro, no Rio de Janeiro, entre 14 a 19 de agosto tem na programação  mesas redondas, concurso de roteiros de curtas, mostras  e oficina de roteiro.

Com o apoio do Canal Brasil, MAM, Grupo Estação, Festival do Rio e ABRA (Associação de Roteiristas do Brasil), o ROTA pretende ser um espaço de congregação entre os diversos profissionais do audiovisual brasileiro.

Dá onde surgiu a ideia de criar um festival diretamente ligado a pratica do roteiro?
 Carla Perozzo e Evandro Melo – A ideia foi de uma das diretoras do ROTA, Gabriela Liuzzi Dalmasso​ que, junto os outros diretores, Carla Perozzo e Evandro Melo, participaram como voluntários do Festival 1º CORTE no ano passado, o qual valorizava o trabalho dos montadores do cinema e do audiovisual. Os três são estudantes do Curso de Roteiro da ECDR (Escola de Cinema Darcy Ribeiro). O 1º CORTE inspirou o ROTA pela possibilidade de dar visibilidade e valorizar o trabalho de artistas fundamentais na construção fílmica que normalmente não são tão destacados como merecem. O roteiro dá o pontapé inicial e a montagem muitas vezes é quem faz o gol!

Qual é a importância do Festival culturalmente e profissionalmente?
Gabriela Liuzzi Dalmasso, Carla Perozzo e Evandro Melo – O ROTA envolve estudantes e profissionais de várias partes do Brasil e de diferentes gerações​, possibilitando uma intensa troca de experiências entre pessoas com visões múltiplas acerca da criação audiovisual. Além disso, temos, de um lado, profissionais com larga experiência, em alguns casos, internacional, participando das mesas redondas, curadorias e júris, e de outro, estudantes e iniciantes nesta carreira instigante e emocionante que é fazer cinema, apresentando seus roteiros no concurso​, ​seus curtas na mostra competitiva e seus questionamentos nas mesas redondas. Sem dúvidas, o que se verá durante todo o Festival será de uma importância cultural e de registro profissional muito estimulantes para a produção cinematográfica nacional, sobretudo porque há poucos eventos totalmente dedicados à relevância do roteiro e dos roteiristas no cenário brasileiro.

O ROTA está plantando uma semente que já está sendo regada e pretende se tornar um evento que faça parte do calendário cultural anual, não só do Rio de Janeiro, mas do Brasil.

Tiveram dificuldades em criar o Festival? Qual é o tamanho da burocracia?
arla Perozzo e Evandro Melo – ​Bem, se fosse fácil perderia a graça, rs… na realidade, a maneira que encontramos de fazer o ROTA dá tanta alegria e satisfação que as dificuldades são superadas. Só o fato de contar com a colaboração espontânea de um turma de mais de 30 profissionais unidos a um grupo incrível de estudantes de cinema de todo o Brasil, alivia bastante o peso da produção de um evento deste porte. Por exemplo, temos um estudante do Paraná e uma da Bahia colaborando na Curadoria e na edição de vídeos do TV ROTA. Não fosse todo este voluntariado nós realmente teríamos dificuldade.​ Burocracia por enquanto não é nosso entrave. Estamos com financiamento coletivo através do www.catarse.me/rotafestival, o que desburocratiza bastante a captação de recursos, os quais são destinados a pagar os custos básicos e a premiação em dinheiro.

Além disso, nossos parceiros e apoiadores também foram muito generosos em nos facilitar o acesso aos seus conteúdos de informação, para termos suas marcas oficialmente vinculadas ao ROTA. Para o ROTA 2018 estamos em busca de patrocinador, pois queremos poder pagar a todos os envolvidos.

A quantidades clichês nos roteiros, atualmente, é enorme. Você acredita que publico é capaz de definir o que quer ver ou é possível fazer filmes originais fugindo do óbvi​o?​
Gabriela Liuzzi Dalmasso, Carla Perozzo e Evandro Melo – A oferta de conteúdo de qualidade atualmente é imensa, devido à democratização do acesso à internet e às tecnologias como celular e computador. Assim, um novo público muito mais exigente​ ​se formou.​ Da mesma maneira​, através do acesso à tecnologia, uma nova geração de cineastas está se formando. Mas não basta o acesso às tecnologias, é necessário uma boa história para se fazer um bom filme. Só através do investimento no roteiro e nos roteiristas é possível chegar em um produto final de qualidade e sem clichês.

O mercado de trabalho para roteiristas não é fácil, como se destacar diante de tantos concorrentes?
Gabriela Liuzzi Dalmasso, Carla Perozzo e Evandro Melo – Realmente é um caminho difícil. Justamente por isso o ROTA pretende abrir novas “rotas”, proporcionando maior visibilidade a roteiristas estudantes e iniciantes, para alavancarem suas carreiras. Existem poucos Festivais de Roteiro no País. A maior referência que temos é o FRAPA (Festival de Roteiro Audiovisual de Porto Alegre) em que estivemos presentes este ano, em sua quinta edição, e com o qual aprendemos muito. O FRAPA, o ROTA e outros Festivais de roteiro possuem uma importância estratégica no cenário do audiovisual brasileiro que é o de colocarem os roteiristas em contato direto com as demandas culturais e de mercado do momento.

Além disso, hoje temos os editais de desenvolvimento de roteiros da Ancine acessíveis a qualquer roteirista iniciante. Também não podemos esquecer das Salas de Roteiristas, muito comuns hoje em dia, em especial nas produções de séries, em que grupos de roteiristas criam suas tramas sob a orientação de um roteirista principal. E nestas Salas há oportunidades a novos roteiristas também. A inserção dos novos roteiristas no mercado é uma questão fundamental e, por isso, tornou-se um dos temas das mesas redondas do ROTA.

Qual é a importância da Escola de Cinema Darcy Ribeiro e do Canal Brasil dentro do Festival?
Gabriela Liuzzi Dalmasso, Carla Perozzo e Evandro Melo – A ECDR é nossa madrinha, é onde nos conhecemos e onde o ROTA foi abraçado carinhosamente pela professora Ziza Dourado e pela diretora Irene Ferraz.​ É a ECDR que apresenta o ROTA à sociedade do audiovisual. Com o seu histórico brilhante de Escola que não só ensina, mas que ajuda a produzir nossos sonhos não poderíamos estar tão bem assessorados. É uma Escola que busca integrar alunos de várias camadas sociais e convergir para o propósito de viabilizar seus sonhos. Os editais de inclusão social, tais como o Cineastas do Futuro, a Capacitação de Profissionais do Audiovisual com ênfase nas novas tecnologias e outros são o retrato desta mentalidade inclusiva. O Canal Brasil do qual somos fãs de carteirinha é um luxo para nós. Logo de cara aceitaram o convite para a parceria e estão divulgando o Rota em suas redes sociais. Estamos lá entre os grandes do audiovisual! E só temos a agradecer este crédito que nos deram, meros sonhadores desconhecidos.

Sobre o festival: https://rotacult.com.br/2017/08/escola-de-cinema-darcy-ribeiro-promove-festival-de-roteiro-audiovisual/

DEIXE UM COMENTÁRIO

Please enter your comment!
Please enter your name here