Lewis, a vida em um sorriso.

Dizem que o melhor remédio é a risada, que ela pode afastar os problemas ou iluminar um dia. Mais difícil ainda é ser uma pessoa genuinamente espontânea e que seja capaz de produzir tal sensação de descontração sem parecer forçado. O cinema americano do pós segunda guerra produzia com certa regularidade obras de gênero musical e cômico, isso com o intuito de levantar o moral do país que, mesmo não tendo sido afetado pelo conflito tão intensamente quanto a Europa, perdera jovens soldados que possuíam uma vida toda pela frente.

A comédia, até então, tinha seus conceitos muito pautados no trabalho de realizadores do inicio do século, como a performance muda realizada por Chaplin e Harold Lloyd. No entanto, tecnologia de cores e a sonoridade dos filmes modernos pediam por uma pequena revolução. Dois jovens artistas perceberam os ares de mudança, eram eles Jerry Lewis e Dean Martin.

O primeiro vindo de uma família de imigrantes russos de Nova Jersey e filho de um ator e uma pianista. O segundo, mais calejado por assim dizer, veio da musica mas também tinha especial vocação para a comédia. Com um estilo de realizar caretas e performances físicas intensas ( lembrando o trabalho de os Trapalhões), a dupla despontou nos cinemas com a comédia “ Amigo da onça” ( My Friend Irma) aonde ambos interpretavam amigos atrapalhados com objetivo de conquistar o coração de uma moça.

A boa recepção do publico rendeu mais dezesseis obras da dupla no decorrer da década de cinquenta. Conforme a fama de ambos como comediantes da nova geração aumentava, a insegurança de Dean Martin se duplicava. A ascensão de Lewis lhe garantiu maiores enfoques por parte dos estúdios Paramount em seus filmes, diminuindo a atenção sobre Martin. Em 1956, a dupla decidiu se separar e nunca mais voltaram a trabalhar juntos.

Mesmo sozinho Lewis seguiu sendo um sucesso de publico e critica, o que lhe garantiu um cada vez maior controle sobre suas produções. Foi nesse período em que surgiram os clássicos “ O professor Aloprado” ( 1963) e o “ Mensageiro Trapalhão” ( 1960), Ambas dirigidas e escritas por ele.

Após o fim de seu contrato com a Paramount e o fracasso com a obra “ Qual o caminho para a guerra?” ( 1970), Lewis voltou sua atenção para a televisão mas precisamente para seu programa beneficente, o “ Jerry Lewis MDA Telethon” ( 1966 – 2014).

Sua volta triunfal a grande tela só se daria em 1981, com o filme “ O rei da comédia” de Martin Scorsese. Por sua atuação no longa, Lewis foi indicado ao BAFTA ( segunda mais importante premiação do cinema) de melhor ator coadjuvante. Após essa película, ele atuaria em mais oito filmes nos anos seguintes.

Jerry Lewis faleceu hoje, 20 de agosto de 2017, aos noventa e um anos de idade, em decorrência de causas naturais. Sua vida, não apenas sua carreira moldou gerações de atores e seu empenho nas causas humanitárias lhe garantiu uma nomeação ao Nobel da paz, em 1977, pelo seu programa para a arrecadação de fundos para ajuda a pacientes com distrofia muscular.

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