Entre 1990 e 1991 existia uma grande indagação na cabeça de quem acompanhava os seriados da época: “Quem matou Laura Palmer?” . O homicídio da jovem personagem de “Twin Peaks” foi o grande motor de toda a primeira temporada e do início da segunda por justamente ser o único ponto normal em um enredo que constantemente utilizava conceitos psicológicos e místicos em sua narrativa.

Finalizada a segunda temporada, da maneira mais aberta possível, a serie criada por David Lynch e Mark Frost enfrentou um hiato de mais de vinte anos. Nesse meio tempo parte do elenco faleceu, a outra se aposentou. Não a toa a notícia de que os criadores voltariam para uma nova temporada para encerrar a jornada de seus personagens pegou a todos de surpresa. Seria possível que uma das series mais importantes da história tivesse fôlego para uma nova temporada tão tardia?

Lynch e Frost mostraram que sim. Respeitando a mitologia criada por eles mesmos, assim como a estrutura de narrativa totalmente interpretativa ambos conseguem resgatar a história de onde ela parou, trazendo também os mesmos personagens que os fãs aprenderam a amar mais envelhecidos só que ao mesmo tempo com a mesma postura de vinte anos atrás.

A volta de parte do elenco original também é um atrativo a parte. Nomes como Sheryl Lee ( Laura Palmer), Kyle MacLachlan ( Dale Cooper), Mädchen Amick ( Shelly Johnson) e Sherilyn Fenn ( Audrey Horne) garantem uma certa credibilidade ao novo enredo e ajudam os novos atores e atrizes a se encaixarem na história.

Por fim, com todos os episódios da terceira temporada disponíveis na Netflix ( apesar de não possuir a primeira nem segunda temporada) “Twin Peaks” é um daqueles trabalhos que honram suas versões anteriores sem desprezar uma maior progressão daquele universo. O assinante, cuja a juventude foi pautada em teorizar quem matou Laura Palmer, vai se sentir o mais feliz possível ao voltar para a pequena cidade nas montanhas e rever as velhas locações. Pode estranhar um pouco no inicio mas a imersão é garantida.

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