Nos tempos loucos e de difícil entendimento do comportamento falido do ser humano, o cinema se mostra uma bela ferramenta para que possamos nos enxergar, e tentar compreender as mazelas que cometemos.

Esta produção nacional inspirada no conto de Machado de Assis “A Igreja do Diabo’’ e é claro ao poema de Dante Alighieri, retrata de uma forma bem descontraída o mundo ‘transloucado’’ em que vivemos e mostrando de forma interessante o Paraíso, Purgatório e Inferno.

Antes de continuar essa resenha, vamos situar o caro leitor na sinopse: O Diabo anda em baixa e está muito preocupado com isso. Ele decide, então, abrir sua própria igreja, onde tudo o que é proibido passa a ser permitido. O ser humano é estimulado a liberar seus instintos mais primitivos e realizar suas fantasias reprimidas. Usando a televisão para propagar a chegada da nova religião, satanás instala a desordem e o mundo vira um caos.

O diretor usa essa premissa para contar a historia de Raquel (Monica Iozzi) uma aspirante a repórter que visa a fama a qualquer custo e não mede esforços para conseguir, e é nesse ponto que o Diabo, interpretado de forma muito interessante pelo (Murilo Rosa), sendo sedutor, maquiavélico na medida certa, consegue se estabelecer na terra e colocando seu plano aparentemente infalível.

Deu para perceber uma clara analogia aos tempos atuais, o que nesse ponto o filme acerta e muito. Toda metáfora do ser humano compulsivo, insolente, individualista e varias outras “qualidades’’ oriundas da nossa espécie estão retratadas nesse 1º ato. Varias metáforas, metalinguagem e simbolismos são muito bem encaixados e nos deixam muito empolgados pelo que vem pela frente.

Pórem é com muito pesar e não posso deixa de lembrar nosso amigo leitor, que se trata de uma comédia, e antes de falarem algo, não tenho nada contra comédias, muito pelo contrario. Porem à medida que essa historia vai se desenrolando, lá pelo meio do 2º ato, ela também vai caindo no clichê básico das nossas comedias com a chancela Globo Filmes.

A partir daí, esquece tudo de interessante que o filme construiu e embarque em situações pastelão , muito sem graça, e obvias. A personagem da Monica Iozzi até tenta, mas constrói exatamente a mesma personagem que interpretou na serie “Vade Retro’’ da TV Globo. Destaque para Deus, interpretado pela excelente Zezé Motta, que carrega uma bela analogia ao nome do filme, já que ela assiste de camarote as travessuras e desventuras do Diabo na terra. Juliana Alves, no papel de Lilith é outro destaque bem interessante.

O diretor Toni Venturi tem uma direção que carece de polimento, cortes bruscos, e em varias cenas, o expectador se perde na montagem que é confusa. Outro ponto negativo são os efeitos visuais, um verdadeiro terror e deixa infelizmente um ar de filme amador.

Pra finalizar, A Comedia Divina tem uma premissa excelente, que bem trabalhado com certeza teria um grande potencial. Até porque analisar o comportamento do seu humano nos dias de hoje, não é uma tarefa das mais difíceis.

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