Por Pedro Marques

Buscando inspiração nas coloridas ”boy bands” de calças apertadas dos anos 80, o filme traz o retorno, não tão aguardado, do fictício grupo ”Chocante”, e seu mega (e único) hit de sucesso ”Choque de amor” ,  20 anos depois de sua dissolução, em uma comédia divertida e em clima de descontração para todos os públicos. Almejados no passado, e com compromissos da vida adulta no presente, Clay (Marcus Majella), Téo(Bruno Mazzeo, que também é roteirista), Tim(Lúcio Mauro Filho) e Toni(Bruno Garcia), surpreendidos pela morte de seu antigo companheiro de banda, resolvem fazer um show de retorno aos palcos, e com isso, todos os rebolados, coreografias, cores, roupas, discos, cassetes, revistas e lembranças são revividas após todo esse tempo.

As atuações conseguem agradar, não somente pela experiência humorística do elenco de peso, mas também pelo clima leve em que as piadas são feitas, em um verdadeiro ambiente de nostalgia que uma reunião de velhos amigos traz consigo, encarnada na pele dos personagens ”popstars”, que apesar das atribulações do dia a dia, mostram em seu entrosamento que nunca cresceram, e dos atores que conseguem transpor a comédia sem fazer esforço.

Se a decisão de retornar aos palcos é ousada para os pais de família, com empregos e filhos, se torna ainda mais perigoso, quando se trata de ter Lessa (Tony Ramos) como seu produtor. O típico figurão produtor alimenta as esperanças da banda de um retorno, mas atendendo a ambições próprias de lucro, e com idéias que só servem ao seu propósito. Modulando a banda com seu estilo excêntrico, exige a entrada de um novo membro. Lessa sugere a entrada de Rod (Pedro Neschling) para substituir o antigo parceiro, um personagem conhecido na internet, ex participante de um reality show, ganhando, em popularidade, do Anderson(Molejo), que faz uma participação no filme como ele mesmo. Dessa forma o produtor consegue unir uma antiga banda de sucesso, que já não tem mais a ilusão do sucesso eterno, com uma nova celebridade instantânea, recém saída de um reality show, e ainda deslumbrado com a fama.

Se o filme por um lado, possui algumas relações que foram pouco entrosadas entre os personagens, como as relações que Téo tem com sua filha Dora (Klara Castanho), e outras atitudes pouco significativas, entre Téo e sua ex-mulher Julie (Renata Gaspar) com relação a uma fita gravada no passado, e questões mal resolvidas, o longa consegue surpreender por seu estilo de comédia nostálgica, com elementos de amizade e parceria, que apesar das ambições e choques de realidade, prevalecem fortes. A devoção que eles tem à banda é algo enlouquecedor, mesmo com apenas um sucesso, vendo nessa ”volta”, uma oportunidade de deixarem de lado suas frustrações com o presente. Nada melhor do que dizer da incrível Débora Lamm no papel de Quézia, a fã número 1 da banda, possuidora de inúmeros recortes de revista, camisetas, produtos, sempre na primeira fileira, e com um otimismo inviolável que serve apenas para ver a sua banda favorita de volta, rouba a cena e é aquela que acredita mais na banda, pois toda banda por menor que seja, tem seu ”roaddie” que faz tudo com paixão, mesmo que seja só essa pessoa no mundo.

Talvez, parte da intimidade construída pelo filme, se dê pela real intimidade que os atores têm si, em muitos trabalhos anteriores, como a nova geração da ”A Escolinha do Professor Raimundo” , o programa “Cilada” e “Sexo Frágil”.  ”Chocante” tem com um toque de intimidade e nostalgia que nos dá o gosto que foi nos anos 80 e 90, com seus programas de auditório, seus ”playbacks” e instrumentos desplugados, com roupas coloridas e coreografias fáceis, remontando uma réplica do ”Viva a Noite” (Programa do Gugu no SBT).

Ponto forte para as diferenças de personalidades que conseguem se misturar. Marcus Majella, que trabalha anunciando promoções de supermercado, consegue arrancar alguns bons risos com todas as suas expressões faciais, em piadas que não ultrapassam a sutileza. Bruno Garcia como um taxista folgado, que percebe na antiga fama um conforto que não possui mais. Bruno Mazzeo, que além de escrever o roteiro, vive um ”cinegrafista independente”, e consegue inovar com um personagem que não é o irônico ou inteligente. Lúcio Mauro Filho, como um oftalmologista, que com seu jeito rabugento, arranca um humor sem ser escrachado.

O divertido e agradável filme de Johnny Araújo,
chega aos cinemas com a mesma energia de um ”hit chiclete” que não sai mais da cabeça, vai te fazer sair da sala cantando.

DEIXE UM COMENTÁRIO

Please enter your comment!
Please enter your name here