Em seu mais novo trabalho, Wagner de Assis (Nosso Lar), traz a história de Sofia, uma menina com uma sensibilidade aflorada e uma áurea supostamente capaz de transmitir cura à pessoas enfermas.

Há duas formas de observar o roteiro. Da forma mais infantil e fantasiosa, dando ao filme um caráter meio “Sessão da Tarde”, e claro, detectando suas metáforas, nos levando a encontrar pontos muito comuns nas relações entre pais divorciados e seus filhos e no desenrolar da educação de uma criança que vive sob a tensão deste ambiente e perde seu foco, enclausurando-se num mundo de faz de contas que funciona como válvula de escape.

Acerca da menina, os pais Ricardo e Luciana, recém divorciados, ainda vivem as dificuldades da separação na educação da menina, transferindo culpas e responsabilidades que só isolam mais Sofia em seu mundo lúdico, no qual ela mergulha através de pinturas abstratas super coloridas.

Jornalista investigativo, Ricardo se vê num dilema ao descobrir que seu pai está envolvido num grande esquema de corrupção enquanto Luciana, mulher de negócios, não consegue encontrar espaço em sua agenda cheia para dar a atenção que a filha precisa.
A trama se desenvolve com a menina se tornando o elo entre os diversos problemas que as pessoas que a cercam carregam, conseguindo pra si a atenção, e fazendo disso uma oportunidade de reflexão à todos.

“A Menina Índigo” propõe mais: que reflitamos quanto à necessidade que as crianças desta nova geração têm de se expressarem e serem ouvidas. E o quanto elas querem fazer, cada vez mais, parte das decisões familiares.

Wagner de Assis coloca em pauta também o cenário atual do país, quando usa a corrupção como subplot e cita a crise política e econômica do cenário atual. Assim como trata da questão da exposição e da invasão de privacidade através das mídias.

São diversos assuntos sutilmente inseridos que tornam o filme interessante e até pedagógico, mas que não tira o brilho de um filme que pode ser analisado sob um prisma mais leve, divertido.

Quanto às atuações, não muito a se destacar. Murilo Rosa e Fernanda Machado como pais modernos e “perdidos” se destacam menos que Eriberto Leão, que consegue dar mais cara de personagem ao seu papel de jornalista inescrupuloso. A pequena Letícia Braga, embora prodígio, me pareceu ainda crua e nas primeiras cenas não parecia entrosada com o casal de pais. Melhora sua atuação ao longo da trama.

A Menina Índigo é um filme para adultos e crianças. Não acharia absurdo ou injusto se a crítica gostasse muito ou o oposto. Ao meu ver, não compromete e, especialmente se visto em família, vale a pipoca.

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