“Ele nasceu de novo”, “viu a luz no fim do túnel”, “a vida passar diante de seus olhos”, “cumprimentou a morte de perto”; existem muitas expressões para experiências quase fatais, mas a ideia de renascimento é certamente a prática mais usual. Além da Morte, novo filme da Sony Pictures, explora as possíveis consequências de se reiniciar seu coração em um experimento que documenta a morte. Cinco jovens residentes, estudantes de medicina testam os limites de seus estudos e descobrem que não ter um futuro pode trazer à tona muitos pecados do passado. Além da Morte mistura de ficção científica e terror se sobressai mais para um dos lados, mas os casos de medicina são uma boa versão cinematográfica de “Grey’s Anatomy” e “House”.

Courtney (Ellen Page) é uma estudante aplicada que deseja fazer uma grande descoberta no campo da medicina. Ela pede ajuda a seus colegas de classe Sophia (Kiersey Clemons), Jamie (James Norton), Marlo (Nina Dobrev) e Ray (Diego Luna), para que a ajudam a reviver quando documentar o que se passa no cérebro após a morte. Quando descobrem que a experiência trouxe à tona habilidades de boas lembranças, todos se unem ao experimento como cobaias, mas nem todas as memórias que recuperam são capazes de dar lhes poderes, porque isso também desencadeia culpas que carregam na consciência em forma de visões e alucinações que podem fisicamente machucá-los. Agora, eles precisam achar uma cura para a inevitável morte.

Os créditos iniciais fazem o público embarcar em uma viagem de descrições quase-morte, e toda a narrativa é levada por esse mundo misterioso. Dessa forma, a aposta do diretor dinamarquês, Niels Arden Oplev, em apostar em uma temática bem ficção científica foi ótima. No entanto, no segundo ato, o longa tenta entrar no ramo do terror forçadamente e poderia ter se dado bem melhor se admitisse ser um filme sobre ciência misteriosa do que paranormal. Mesmo assim, já no final, o longa volta a sua ideia original, a inconsistência nos gêneros é de arrepiar, mas não quebra demais o clima tenso de quem assiste.

Poucos sabem, mas esta obra é um remake do longa de 1990, Linha Mortal que estrelava Julia Roberts e Kevin Bacon. O filme não foi um sucesso e acabou caindo no esquecimento, era uma época diferente. Sendo comercializado, agora, em outubro como filme de terror, com  o objetivo de atingir um público maior no mês do dia das bruxas.

Em Além da Morte, o clichê dos sustos de volume alto que antecedem silêncio total, pode ser até que enganem alguns como o filme de suspense que tentou ser, mas seria muito melhor explorado se mantivesse a narrativa original.

Um elenco de peso se destaca durante o longa: Ellen Page faz o mesmo papel da garota esperta de sempre, e enquanto os personagens de Nina Dobrev e Diego Luna competem por quem é mais inteligente quando se tem os estudos na teoria e os estudos na prática, ambos merecem o destaque pela atuação, com ressalva para Kiersey Clemons. Os três têm um jeito natural de passar as especialidades de seus personagens que Ellen Page e James Norton simplesmente não tem, ou passam em branco.

Esse não é um filme para os fracos de coração. Se ver séries de medicina como as mencionadas em cima te dão nervoso, Além da Morte pode não ser uma boa, apesar de com certeza ter muito menos práticas médicas do que se veem nesses shows. Poderia ser um filme melhor se não descartasse algumas ideias introduzidas ao longo da trama como se ninguém fosse perceber como a super inteligência de todos os que foram cobaia simplesmente parece deixar de existir e, é claro, a ideia de que há algo além das alucinações possivelmente demoníaco atrás deles foi um pulo totalmente fora da reta. De qualquer maneira, é um filme interessante, que te faz questionar os rumos, consequências e pecados da vida e da morte.

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