Gosto se discute: E muito! O cinema brasileiro há tempos se colocou num patamar altíssimo, onde não perdemos praticamente em nada em matéria de estrutura e tecnologia para todas as outras praças.

Isso é um ponto positivo, obviamente. Passa a ser ponto irrelevante quando um roteiro com vários plots potencialmente exploráveis são deixados de lado para a conclusão de um enredo ancorado em clichês com selo “sessão da tarde” de qualidade. Gosto se discute entra na prateleira de um monte de outros filmes nacionais que seguem o mesmo padrão. Meio comédia, meio romance, mas nenhum dos dois.

Cassio Gabus Mendes é Augusto, um chef tradicionalíssimo que vê seu restaurante perder clientes para a febre da comida de rua, quando Patrick abre seu foodtruck em frente ao restaurante dele. Diante do desafio de encontrar soluções para reverter o quadro, Augusto se depara com um problema maior: a perda do paladar. Entra em cena a chata Cristina, interpretada por Kéfera, a nova gerente do restaurante.

Quando a trama parece engrenar em alguns dos promissores temas, ela nunca engrena. Parece que a preocupação ficou mais por conta dos bordões engraçadinhos (sim, estou usando a forma pejorativa), que parecem parados no tempo e estigmam estas produções nacionais, como já disse acima.

Cassio Gabus Mendes é o único a dar cara de personagem ao seu papel, claro, sendo o baita ator que é, ao menos isso é garantia. Kéfera tem muitos méritos ao sair do anonimato e virar uma youtuber mundialmente famosa. Mas ainda encontra certa dificuldade em atuar com mais segurança. Vê-se mais Kéfera do que Cristina. As demais atuações se demonstraram deveras cruas. Gabriel Godoy não compromete, nem brilha, como o dono do foodtruck, Patrick. Mas tem algo bom no filme? Sim. Comida!

Um dos principais ingredientes, e aí fica perfeito o trocadilho, da indústria da televisão atualmente é a exploração da arte culinária a transformando em show. Não é incomum vermos inúmeros programas do tema em diversas emissoras de TV da nossa rede de assinaturas, e aí o filme acerta. Já nos quesitos técnicos,  a qualidade cinematográfica não se discute.

Se você não tiver comido antes de ver o filme, irá sair com fome, e se comeu, provavelmente também.

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