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Laurent Cantet explora de forma realista, questões políticas e morais

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Um grupo de jovens colide em uma sala de aula em um curso de escrita literária. Assim somos introduzidos ao novo filme de Laurent Cantet e tal qual esses jovens, somos arremessados nessa sala, com esse grupo de estranhos que, de imediato, percebemos ser muito diferentes uns dos outros. Não sabemos o que levou cada um deles até ali, mas isso parece pouco importante.

Lauren Cantet retorna para dentro dos muros de um ambiente educacional controlado, em que se destacou e mais uma vez desenha uma história em que as questões sociais e econômicas de uma região são exploradas através da mediação da educação.

A tarefa desses jovens é construir uma história em conjunto. História essa que será publicada posteriormente. Marina Fois é Olívia, uma renomada escritora, que é a instrutora do curso, mas descobrimos ao longo do filme que ela, além de não ser uma hábil professora, possui limitações e questões pessoais, que ficam claras a medida que as aulas fogem do seu controle e os limites de sua vivência e experiências pessoais acabam vindo à tona.

La Ciotat, no sul da França, tem que ser o cenário para a história ser desenvolvida, sendo também a cidade onde o filme se passa. Os debates acerca de qual caminho a história deve seguir explicitam questões políticas e sociais como pano de fundo, mas extremamente intensas e atuais, explorando os problemas da região e do país.

A forte divergência e interação entre o grupo traz à tona o que há de melhor e pior em cada um dos personagens. Mas é com Antoine, interpretado por Mathieu Lucci, o mais agressivo dos jovens do grupo, sempre buscando conflito, que o filme vai além, traçando, inclusive, uma espécie de perfil da juventude atual.

Crise econômica, terrorismo, violência, preconceito, radicalismo religioso, a crescente da extrema direita. O fluxo de ideias e debates entre os jovens é orgânico e natural e a tensão é quase palpável. E sem dar respostas, sem pegar o espectador pela mão, o filme nos leva por uma espécie de passeio, por um panorama mundial, enquanto, mergulhado em metalinguagem constrói um thriller que se desenvolve à medida que seus personagens escrevem um thriler para sua história.

Laurent Cantet mais uma vez consegue de maneira muito natural e realista, explorar questões políticas e morais, em que a atenção aos detalhes se faz muito importante já que tudo, cada frase, cada diálogo é um questionamento, uma referência. A interessantíssima atuação de Mathieu Lucci, que faz com que o filme fique ainda mais interessante. Um filme que explora a força das palavras que, nas mãos de Laurent Cantet, viram armas.

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