Sem dúvida um dos nomes que mais vem chamando a atenção em Hollywood nos últimos anos é o do roteirista Taylor Sheridan. Autor dos aclamados e premiados Sicário e A Qualquer Custo, Sheridan vem se especializando em apresentar westerns modernos repletos de diálogos viscerais que mostram um retrato de pessoas que foram vitimizadas e esquecidas pelo governo americano.

Fazendo uma brusca troca de cenário em relação a A Qualquer Custo, nos deixamos para trás o lado quente do Texas nos Estados Unidos e vamos para a reserva nativo americana Wind River nas áreas mais geladas do Wyoming, onde um misterioso crime acaba de ocorrer. Cory Lambert (Jeremy Renner) é um caçador veterano que trabalha na Fish and Wildlife Service, um departamento americano que é dedicado a preservar a vida selvagem, durante uma de suas caçadas ele se depara com o corpo congelado de Natalie uma residente da reserva que havia sido estuprada e correu por 10km na neve até morrer. Para investigar o caso o FBI manda sua agente mais próxima do local, a novata Jane Banner (Elizabeth Olsen) que junto com Cory passam a investigar o misterioso crime.

Analisando a sinopse podemos pensar que se trata de mais um thriller sobre um assassinato misterioso, mas Terra Selvagem possui camadas muito mais profundas. Sendo na verdade a história de um homem que acaba enfrentando questões não resolvidas de seu passado e faz um retrato da maneira que os nativo americanos são negligenciados pelo governo americano. Por esse motivo inclusive que nos créditos iniciais vemos a frase “inspirada em eventos reais”, é a maneira de Sheridan referenciar que existem milhares de histórias como esse e que não recebem a devida atenção das autoridades.

Construído com diálogos viscerais que conseguem captar bem a sensação daquele local, brutal, frio e que afeta de forma muito direta a vida das pessoas que moram lá. E isso reflete diretamente nas atuações, em especial de Jeremy Renner e Gil Birmingham, que passam sempre estar escondendo muita angustia e raiva, deixando ela corroer por dentro o tempo todo.

A bela fotografia de Ben Richardson capta todo o sentimento de isolação que Wind River passa para o público, deixando qualquer um com a sensação de estar se perdendo na neve. A história principal acaba se desenvolvendo em um passo mais lento, mas isso em nenhum momento afeta o ritmo do filme, em especial porque as conclusões do terceiro fazem tudo valer a pena.

Terra Selvagem de  Taylor Sheridan se concretiza como um dos grandes contadores de história em atividade em Hollywood e coloca também o seu nome no radar como um dos diretores com mais potencial dessa geração.

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