Às vezes é necessário tempo e uma nova perspectiva na vida para aprender a valorizar aqueles ao seu redor, essa é a moral de Lady Bird, longa da Universal Pictures que está concorrendo a cinco Oscars, incluindo o de Melhor Diretor para a quinta mulher de toda a história da Academia a concorrer a esse prêmio, Greta Gerwig. O filme conta a história acompanha Christine, ou Lady Bird, como gosta de ser chamada, em sua jornada no último ano do ensino médio e tantas aventuras adolescentes para se autoconhecer.

O que a garota mais deseja é passar para uma faculdade longe de Sacramento, na Califórnia, onde mora com os pais Marion (Laurie Metcalf) e Larry (Tracy Letts), o irmão e a namorada do mesmo. Esta vontade é veementemente rejeitada pela progenitora, mas Lady Bird (Saoirse Ronan) não se dá por vencida e leva o plano de ir embora a diante. Enquanto só lhe resta esperar por cartas de aprovação ou rejeição das universidades, ela se divide entre as obrigações no colégio, o clube de teatro, o primeiro namoro, amizades que vão e vem, outros típicos rituais de passagem para a vida adulta, entre eles, desentendimentos cotidianos com a mãe.

Todo ano a lista de melhores filmes tenta nomear títulos de gêneros diferentes. É seguro dizer que esta é a representante da comédia e que por essa razão, não está lá à toa. O longa é realmente leve e divertido conseguindo várias risadas durante ele todo. No entanto, não é o tipo de filme que deixa o público em dúvida se irá ganhar ou não. São sempre os concorrentes mais dramáticos e com temas mais relevantes para o momento que ganham o prêmio final, e nisso Lady Bird não tem chance.

É claro que se o objetivo é ver um filme leve e descontraído sobre peripécias da adolescência, essa é a escolha certa. O roteiro é maravilhoso e contém piadas que  combinam com cada aspecto cinematográfico, como a interessante direção de Greta Gerwig. Ela constrói cenas que demonstram a personalidade da protagonista, sua rebeldia e inocência, de forma genial. O uso das cores também entra em ação, com tons complementares ao cabelo rosa de Lady Bird. Outro elemento louvável é a trilha sonora. O filme se passa nos anos 2000 e para quem cresceu nessa época dá um toque de nostalgia refrescante a cada escolha musical.

Saoirse Ronan dá um show de atuação, como já notado pela academia em 2016 pela obra “Brooklyn” em que também era protagonista e concorreu ao mesmo prêmio deste ano. Laurie Metcalf também demonstra sua maturidade e contribui a cada cena com a personagem que representa todas as mães-corujas. Também é importante notar que Timotheé Chalamet, que concorre a Melhor Ator pelo papel em Me Chame Pelo seu Nome está no longa como Kyle, o segundo namorado de Lady Bird e Lucas Hedges (que também faz parte do elenco de Três anúncios para um crime) está no longa como Danny, o primeiro namorado.

Lady Bird está como todos os jovens de sua idade, completamente perdida, mas incapaz de admitir isso. Isso lhe dá uma certeza no olhar à primeira vista, mas para quem já a conhece, como a mãe, fica clara a insegurança natural da idade. A igualdade em personalidade das duas a faz brigar constantemente, mas o amor incondicional ainda as une por dentro. Assistindo “Lady Bird”, não se vê o tempo passar, em cena há apenas uma jornada divertida e elegante, cujos toques triunfais e marcantes de Greta Gerwig, e a atuação deslumbrante de Saoirse tornaram-a merecedoras de indicação ao Oscar.

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