‘Nos morros e favelas do Rio de Janeiro, ter paz é uma utopia’, é com este pensamento que Ivo Meirelles, músico nascido e criado na Mangueira, e que sabe muito bem o que é criar os filhos num ambiente onde bala perdida é uma constante, se inspira para compor sua nova canção, “No Morro não tem Play”, que entrará para o álbum #21, preparado em parceria com o grupo Funk’n Lata. Para dar o tom roqueiro, estilo que o sambista também já deu suas passeadas – inclusive com shows no Rock in Rio -, Ivo convidou Frejat para uma participação especial. A música, com um tom político bastante aguçado, tem seu lançamento no dia 23 de março nas plataformas digitais.

 Disposto a mais uma vez propor a discussão sobre a falta de paz nos morros cariocas, Ivo relembra sua criação na Mangueira, diz que de sua memória, lá da década de 1970, não conseguirá apagar a cena de policiais da Aeronáutica, com cães, entrando em sua casa e levando seu pai preso, e relembra os amigos que já perdeu.

“Ser criança num morro carioca é andar no fio da navalha. A sorte vai te transformar num adulto sem transtornos. Não existe uma forma correta de proteção, principalmente se for do sexo feminino. Quando se chega à idade adulta, todos, sem exceção, lembram das mazelas que passaram para sobreviver”, aponta Ivo Meirelles, que já lançou, em outras oportunidades músicas que discutem o tema, como “Help ao Morro” e “O Coro Tá Comendo”, entre outras.

“A bala perdida é a grande vilã, mas não é só isso. Já perdi amigos que caíram do telhado, que foram atropelados, vítima de desabamentos, e outros que ‘se perderam’ e foram presos. A bala perdida acontece quando há confronto policial, mas a vida no morro não é novela”, ressalta o artista.

 A parceria com Frejat para cantar ‘No Morro não tem Play’ não é por acaso, Ivo o escolheu a dedo. O roqueiro já participou do primeiro CD do Funk’n Lata e traz a força do ritmo para a canção.

Para o parceiro, Ivo Meirelles é só elogios: “Já fizemos muitas parcerias nos palcos. Ele é um cara sensacional e de um caráter ímpar. Quando resolvi gravar essa música, eu queria uma voz que soasse o rock and roll, e só vinha ele na minha cabeça”.

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