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MARIELLE GIGANTE NO CIRCO VOADOR

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Quinta, 26 de abril, o Circo receberá o evento em homenagem à Marielle Franco, que vai rememorar a vida e a luta dessa guerreira. Idealizada coletivamente, a noite busca fortalecer a luta popular a partir de uma atividade político-cultural e já conta com a presença confirmada de vários artistas.

A arrecadação do evento será destinada para apoiar 4 coletivos: Coletivo Fala Akari, coletivo de militantes da Favela de Acari onde ocorria os assassinatos cometidos por agentes do Estado, denunciado publicamente por Marielle; Casa das Pretas, onde ocorreu o evento “Jovens Negras Movendo Estruturas” do qual Marielle participou antes de ser assassinada; Coletivo Maré Vive, que é um canal de mídia comunitária feito de forma colaborativa, onde as notícias são desenvolvidas através da colaboração dos moradores no território que Marielle era oriunda e Pré-Vestibular Comunitário do Centro de Estudos e Ações Solidárias da Maré – CEASM, onde Marielle atuou e que foi responsável pelo ingresso de mais de mil favelados nas universidades públicas do Rio de Janeiro desde sua criação.

Esses coletivos têm em comum a luta pela garantia dos direitos do povo negro, mulheres negras, LGBTs, favelados e periféricos, através de várias iniciativas como eventos culturais, rodas de debate, comunicação comunitária, acompanhamento de abordagens e revistas policiais em seus territórios e apoio aos familiares e vítimas da violência do Estado. Assim, convidamos todas/os para manter viva a memória de Marielle e Anderson no evento.

Uma inspiração para continuar a luta
Mulher, negra, mãe, favelada, socialista, companheira, amiga, LGBTs, militante, intelectual e referência na luta por direitos humanos, Marielle é cada um/a de nós, é representativa. Sua presença era uma afronta ao patriarcado de supremacia branca, mas sua ausência não permitirá paz ao seu status quo. Cria da Maré e aluna do seu Pré-Vestibular Comunitário – CEASM, Marielle conseguiu bolsa integral PUC/Rio, se graduando em Ciências Sociais e, mesmo após ingressar na universidade, permaneceu atuando e incentivando jovens negros, favelados e periféricos a buscarem seus lugares nas universidades públicas

Mestre em Administração Pública (UFF), Marielle foi coordenadora da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro e a quinta vereadora mais votada do Rio de Janeiro nas eleições de 2016. Presidiu a Comissão de Defesa da Mulher e, pouco antes de sua execução, passou a integrar uma comissão que tinha como objetivo monitorar a intervenção militar federal no Rio de Janeiro. Anderson Gomes, que dirigia o carro na ocasião do assassinato, também teve sua vida ceifada nesse crime contra a democracia brasileira.

Marielle, uma representante do povo e, que o povo representou, com projetos como “Assédio Não é Passageiro” e “Espaço Coruja”, Marielle buscava priorizar políticas direcionadas às mulheres em situação de vulnerabilidade da cidade e ser a voz da parcela da população historicamente silenciada. Não por coincidência Marielle foi morta após ter participado de um evento chamado “Jovens Negras Movendo as Estruturas”, pois é isso que mulheres como ela fazem, resistem, existem e não se calam.

Brasil: país onde mais se mata defensores de direitos humanos das Américas
A perseguição política é uma forma de desqualificar e criminalizar a luta do povo, assim como aconteceu com Marielle após sua morte com a propagação de notícias falsas sobre seu passado, acontece com os negros e pobres também assassinados pelo braço armado do estado. Há 1 ano, morria Maria Eduarda dentro da escola em que estudava e, mesmo com a comoção generalizada pela sua morte, foi iniciada uma onda de boatos sobre ela ser namorada de traficantes do Morro da Pedreira com o objetivo de justificar seu assassinato. Assim, essa estrutura racista e classista nos aniquila cotidianamente, com a criminalização dos nossos espaços de convivência, da nossa vida e dos nossos corpos.

Dizemos NÃO à militarização das vidas faveladas, se o estado burguês só nos serve com suas munições, ele não serve para nada! Chega do nosso sangue derramado, queremos educação e saúde de qualidade, ter empregos dignos e saneamento básico, queremos ser tratados como seres humanos. Há 500 anos estamos reivindicando nossa humanidade, nosso direito de sermos tratados como qualquer um perante a lei. Não admitiremos nem mais uma gota de sangue favelado derramado! Concordamos que a execução de Marielle Franco é um recado para todas/os que se levantam contra as atrocidades perpetradas pelo Estado e se configuram em uma tentativa de nos calar. Continuamos firmes, pois NÃO VÃO MATAR NOSSA VONTADE DE LUTAR.

Tombeiro, derivado de tumba, foi outro nome dado aos navios negreiros nos quais milhões de Marielles foram sequestradas do continente africano. Foi um corpo preto que tombou, assim como todos os dias. Situada nos grupos mais “letalizados” do Estado brasileiro (e mesmo antes): preta, mulher, lésbica e defensora de direitos humanos, Marielle vive em nós. Essa homenagem é um tributo aos ancestrais silenciados por 500 anos (malês, cabanos balaios, palmares… Ah, palmares!).

Marielle Gigante, é porque nós somos.

O release foi produzido pelos coletivos Fala Akari, Casa das Pretas, Maré Vive e CEASM.

Serviço:
MARIELLE GIGANTE
Data: Sexta, dia 26 de abril de 2018
Abertura da casa: 19h
Ingressos: Bilheterias: terça a quinta: das 12h às 19h; sexta: das 12h às 24h (exceto feriados) e sábado a partir das 14h. ou www.ingressorapido.com.br
Capacidade: 2.000 pessoas
Classificação: 18 anos (de 14 a 17 somente acompanhado dos pais)

Rota Cult
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Redação do site E-mail: contato@rotacult.com.br

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