Por Tarsso Freire Sá

Em 50 são os novos 30, Marie-Francine é uma geneticista de 50 anos com casamento firme ,assim como o emprego, mãe de duas filhas. Isso é o que a personagem de Valérie Lemercier tem no início do filme, mas em dois minutos ela perde o marido, a casa onde mora e depois o emprego. Sendo obrigada a voltar a morar com seus pais e cuidar da loja de cigarros eletrônicos deles. A vida dela muda de cabeça pra baixo.

A comédia romântica também dirigida por Valérie lida com o humor magistralmente. Por vezes usando de comédia situacional e por outras pelo absurdo proferido pelos personagens. Marie- Francine atua como a única pessoa que é “normal”, já que todos os outros agem como se fato de ter sido largada pelo marido não fosse nada. Que ela devia arrumar logo outro homem, afinal, ela já está velha demais pra ficar solteira.

Certo dia, ela conhece Miguel, um chef de cozinha com descendência portuguesa. Os dois começam a se aproximar, introduzindo o romance no longa. Os momentos fofos, as eternas confusões de “ele me traiu” ou ela “ela não me quer mais”. Um vai e vem sem parar, mas que não é incomodo, e sim engraçado. Sempre que Marie fazia alguma bobagem é automático não soltar uma risada seguida de um: “essa não”. Mesmo em momentos sérios, em que a mulher de meia-idade tem um surto nervoso é humorado, afinal de contas ela tem razão.

Lemercier da um olhar mais mundano a Paris através da fotografia de seu filme. Não há a Cidade Luz, nem a capital do romance, mas apenas uma cidade mesmo, com problemas comuns e vidas comuns. Fica claro em sua direção que ela tenta demonstrar que esta obra é o episódio na vida de alguém. Um período de total confusão, que é a força motriz para a mudança. Nunca é tarde pra começar um novo amor, um novo negócio, ou um novo sonho. O final é praticamente uma frase: La vie est belle. A vida é bela.

*Em cartaz no Varillux 2018

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