Por Tarsso Freire Sá

Todo filme, curta ou longa tem um seu tom. No da obra de Iván Granovsky o tom muda, e ao mesmo ele se mantém. Começa com Iván narrando sobre si mesmo. E sobre sua frustração quanto a vida profissional. Frustração e impotência são as palavras chaves do filme. O diretor e ator, filho do conhecido jornalista, Martín Granovsky, sendo constantemente o peso do nome do pai que permeia todo o longa.

Ao começar a criar um documentário sobre jornalistas, Iván viaja por vários países ao redor do mundo na América Latina, Europa, Oriente Médio. Buscando entrevistas com jornalistas correspondentes internacionais de guerra. Mas no fim, sua frustações são seu ponto de desfecho. Sua incapacidade de coordenar uma entrevista, e até de dirigir o documentário.

Entre isso ele revela um panorama geopolítico mundial. O atentado no jornal parisiense, Charlie Hebdo, as manifestações que ocorreram no Brasil em 2013, o conflito entre Israel e Palestina, as complicações no País Basco, relatos da ditadura que ocorreu na Argentina, entre outros. O diretor vaga pelo mundo, buscando casos e mais casos, mergulhando em uma crise existencial de impotência acerca de tudo que houve. E apesar do pai ser um porto seguro, ele evita ao máximo retornar pra casa. Sempre colocando também um pouco de suas experiências pessoais, depois de algum entrevista geralmente.

O filme possui ótimas qualidades. Quadros que possuem simetria admirável, demonstrando muito bem o ambiente de casa país visitado.

É muito difícil definir um tema apenas para esta obra, já que ela muda a todo momento. Ora ficção ora documentário autobiográfico. Porém é importante dizer que a pessoa que parece em tela, Iván Granovsky, não é um jornalista, nem um diretor. A pessoa que vemos em tela é um ator. E, querendo ou não, há sim diretor promissor ali. Que ilude o público com um mix de emoções.

DEIXE UM COMENTÁRIO

Please enter your comment!
Please enter your name here