Por: Mariane Barcelos

Ao se levantar de manhã num apartamento onde, de véspera, houve uma grande festa, Sam deve se render à evidência: ele está sozinho e mortos-vivos invadiram as ruas de Paris. Aterrorizado, ele vai ter que se proteger e se organizar para continuar a viver. Mas será que Sam é mesmo o único sobrevivente?

Assim como grande parte dos filmes franceses, A Noite que Devorou o Mundo, não é apenas mais um filme sobre o tema aparente, e sim sobre um dilema. Neste caso, um filme de zumbis que fala sobre o dilema de viver só. Dentro de uma sociedade, cada vez mais individualista, formatar uma crítica sobre a solidão do homem e ainda por cima, atrair o público com um tema da atualidade, como zumbi, é de fato muito inteligente e dá um grande sentido para todo o filme.

Primeiro longo-metragem de Dominique Rocher, que foi exibido no Festival Varilux de Cinema Francês, La Nuit a Dévoré le Monde, título original, é baseado no romance de Pit Agarmen, pseudônimo e anagrama do escritor Martin Page.Curiosidades a parte, o autor do livro não queria o filme como uma adaptação literal de seu livro e ajudou na construção do roteiro.

A obra oferece muito mais um terror e drama mental, do que, algo medonho, já que os poucos sustos oferecidos são muito previsíveis, porém, o sofrimento de apenas um protagonista sozinho praticamente em 80% do tempo e de maneira introspectiva é algo totalmente agoniante. Existem cenas explícitas de mutilações, zumbis devorando pessoas ou até mesmo, cenas apenas mostrando os zumbis sempre com alguma parte do corpo faltando, porém, a violência visual mostrada de maneira menos enfatizada, demonstra ainda mais a ideia de que a temática usada em forma de zumbi, é apenas uma artifício usado para contar outra história.

Durante alguns pontos, é possível enxergar alguns locais clássicos de Paris, como a Torre Eiffel, dando uma grande dramaticidade e até mesmo situando de maneira real o público. O longa conta com grandes planos sequências que ajudam a passar veracidade dos atos, já que podemos acompanhar ações do início ao fim, mesmo sendo atos pequenos. Alguns planos altos são utilizados e montagens de cenas que me lembraram muito Guerra Mundial Z, um grande sucesso do gênero que envolvem apocalipses zumbis, com um faturamento de 540 milhões de dólares.

A trilha sonora faz parte da história, já que o protagonista produz músicas instrumentais, sendo ela um dos grandes instrumentos para extravasar toda a raiva. Muitas vezes a utilização de músicas mais alegres, gera pequenos momentos cômicos. Várias detalhes são utilizados para indicar a passagem de tempo, como a troca de roupa, rabiscos na parede e o estoque de comida.

Pode ser que ao longo do desenvolver, o filme vá perdendo ritmo e desfazendo a ideia de algo original dentro do gênero, mas essa questão vai depender muito da sua interpretação e envolvimento com a narrativa.

 

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