Por Tarsso Freire Sá

Dirigido pelo diretor italiano, Andrea Pallaoro, o longa metragem Hannah narra a história de uma idosa que precisa se adaptar a vida diferente após a prisão de seu marido. A primeira coisa a se notar na direção é  o posicionamento da câmera que sempre favorece a protagonista.

Aos poucos e com muita sutileza, o roteiro de Pallaoro e de Orlando Tirado revela o plot, que é muito delicado. O enredo revela meticulosamente o motivo da prisão do marido de Hannah, e o que está acontecendo com sua vida. Entretanto, toda essa sutileza pode acabar confundindo os menos atentos. Este longa é para aqueles de foco, pois ele quase não tem diálogos. E os poucos que existem são repletos de significado, mas, novamente, precisam de foco, já que eles não são muito diretos. É preciso ligar os pontos. Por falas que parecem sem relevância, e até aleatórias, os sentimentos de Hannah são descritos.

Pela falta de diálogos, Andrea teria que compensar com algum outro artifício. É ai que a atuação Rampling entra, que é simplesmente magnífica. Ela está na maioria do tempo séria, reprimindo todas as suas emoções e tentando manter a máscara para os demais, e até para ela mesma. Em um momento em que Hannah leva um golpe forte de seu filho, ela desaba, chorando em gritos sem emitir som. E logo depois, ela coloca sua máscara, pega a bolsa e arruma o lenço no pescoço.

Dá pra notar que o diretor queria trazer um pouco de leveza para o tema pesado, mas ele falha nisso, pois a atuação de sua protagonista dá mais peso pra trama. Lentamente, o espectador afundo na desesperança que Hannah entra. Sua vida foi destruída. Ela sabe disso, todos a sua volta sabem, e quem está assistindo também sabe.

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