Baseado no primeiro livro da trilogia de Alexandra Bracken, Mentes Sombrias traz um EUA distópico, porque seus jovens começam a sofrer de um doença chamada N.A.I.A. (Neuro degeneração Aguda Idiopática Adolescente). Inúmeros adolescentes morrem, e os sobreviventes mudam, ganham poderes. Esses poderes foram classificados pelo governo americano por cinco cores: Verde, Azul, Dourado, Vermelho e Laranja. Os Verdes possuem uma inteligente aumentada, os Azuis adquirem o poder de telecinese, os Dourados poderes de natureza elétrica, os Vermelhos são como lança chamas ambulantes, e os Laranjas manipulam mentes, sendo os dois últimos, os mais raros. Logo esses sobreviventes são vistos como riscos a sociedade, portanto são enviados a campos de trabalhos forçados.

Todo essa introdução revela o potencial do roteiro, como se fosse um tipo de X-Men misturado com o estilo da série Divergente. Porém, a execução é muito falha e clichê. Primeiro, temos o time dos mocinhos: Ruby, Liam, a pequena Zu e Charles, ou Bolota para os íntimos. Aí começam as obviedade. Ruby, interpretada por Amandla Stenberg, é a líder, independente, uma mulher forte, e a mais poderosa de todos. Depois vem o herói galã, Liam, o guerreiro sem bandeira que luta apenas pelos outros, e que tem que estar aí para formar um casal com a Ruby, seguindo a formula didática. A Zu é a maior incógnita do grupo, pois ela não fala e é uma menininha ainda, que também é a segunda mais poderosa do grupo. E por último, o Bolota, um verde, portanto o inteligente do grupo alívio cômico cheio de sarcasmo.

Essa obviedade já quebra parte do interesse, porque se torna fácil prever o andamento desse grupo, que piora por repetir essa formulinha que precisa concluir tópicos, mesmo que seja de forma forçada. Tópicos que incluem um romance entre a líder e o herói,  muito superficial e bobo, que não dá credibilidade alguma. Em determinada cena, Ruby, que fugiu de seu campo de concentração e juntou-se a esse grupo em um período de no máximo alguns dias, coloca um vestido de baile vermelho com o único objetivo de criar um clima de romance com o Liam. Quase todos os porquês do longa se respondem com “porque sim”. Porque é assim que a fórmula funciona, sem falar que o roteiro envolve temas comuns entre adolescentes, que ficam jogados mesmo e não tem desenvolvimento.

A segunda falha é que a trama pede uma tensão, uma sensação de perigo que não tem. Tudo se mantém no mesmo tom de passeio no parque. O grupo está fugindo do governo, que aparentemente só tem uns 10 agentes, mas não só deles. Existem caçadores de recompensas que buscam jovens fugitivos, uma delas foi interpretada por Gwendoline Christie, a Brienne de “Game of Thrones”, que tenta trazer uma sensação de risco, de que eles estão sendo perseguidos, entretanto ela só faz umas caretas. O grupo tenta se esconder, mas também nem tanto. Eles ficam em lugares que obviamente tem outras pessoas que podem criar perigos pra eles, todavia não criam já que eles estão com a Ruby e tudo se resolve com ela, essa situação de repete quase o filme inteiro. Tudo seguindo o estilo Maze Runner.

No terceiro ato tudo fica tão óbvio que a diversão é ver suas suposições se concretizando. O casal se tornando um casal, o alívio cômico se ferrando, o grupo sendo separado, o salvador que na verdade é vilão. Parece que o longa é um “checklist” sem fim. Talvez o único elogio a ser feito é na questão visual, principalmente quanto aos poderes dos adolescentes. Enfim, o filme falha em execução, roteiro, construção de mundo, e o que não falha fica na mediocridade.

 

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