A exposição Queermuseu: Cartografias da Diferença na Arte Brasileira, fechada e censurada em 10 de setembro do ano passado (no Santander Cultural, em Porto Alegre), será reaberta no dia 18 de agosto, às 11h, nas Cavalariças da Escola de Artes Visuais do Parque Lage (EAV). A aguardada remontagem no Rio contará com 214 obras de 82 artistas reconhecidos nacional e internacionalmente, como Adriana Varejão, Alair Gomes, Alfredo Volpi, Cândido Portinari, Efrain Almeida, Guignard, Leonilson, Lygia Clark, Pedro Américo, Sidney Amaral e Yuri Firmeza. A curadoria de Gaudêncio Fidelis reuniu trabalhos provenientes de coleções públicas e particulares, que percorrem um arco histórico de meados do século XX até a atualidade, formando um mosaico significativo da diversidade estética e geracional da produção artística no país. A Queermuseu é a primeira plataforma curatorial com abordagem exclusivamente queer já realizada no Brasil e a primeira da América Latina com tal envergadura.

A diferença é um dos fundamentos do queer, termo de origem pejorativa que teve seu significado transformado nos anos 1980 na luta por direitos civis e movimentos LGBTI+. Desde então, queer passou a designar a diversidade e o direito a uma existência fora da norma.

“Queermuseu: cartografias da diferença na arte brasileira” explora a expressão e identidade de gênero, a diversidade e a diferença na arte brasileira por meio de um conjunto de obras que percorrem um arco histórico de meados do século XX até a atualidade.

Em sua primeira apresentação realizada no espaço Santander Cultural, em Porto Alegre, a exposição sofreu uma campanha difamatória em redes sociais de grupos como o Movimento Brasil Livre (MBL), na qual seus participantes afirmavam que a exposição fazia apologia à pedofilia, pornografia e à zoofilia, além de desrespeito à figura religiosa. Em função disso, ameaçaram boicotar o Banco Santander, que cancelou a exposição. Todas as acusações foram desmentidas pelo Ministério Público Federal, que se manifestou afirmando não haver crime de qualquer espécie, tendo recomendado a imediata reabertura da exposição, o que não ocorreu.

A exposição seria, então, realizada no Rio de Janeiro, pelo Museu de Arte do Rio, porém foi censurada por Marcelo Crivella, prefeito da cidade, que declarou em um vídeo que a exposição só aconteceria “no fundo do mar”.

Queermuseu se propunha a ser um museu provisório, de caráter metafórico, cujo objetivo seria propiciar um campo de investigação sobre o caráter patriarcal e heteronormativo do museu como instituição. Segundo o curador da mostra, Gaudêncio Fidelis, “é uma exposição fundada na democracia e na visão de um processo de inclusão”.

Serviço:
Queermuseu: Cartografias da Diferença na Arte Brasileira
Visitação 18 de agosto à 16 de setembro de 2018
Local: Escola de Artes Visuais do Parque Lage ( Rua Jardim Botânico, 414)
Horários de visitação:
Seg a sex, das 12h às 20h
Sáb, dom e feriados, das 10h às 17h
Entrada franca

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