Você fez o Afonso em “Além do Tempo”, que era um romântico, e ao entrar em “Rock Story” fez o vilão Alex e agora um playboy na novela “Verão 90”, são papeis muito diferentes, como você trabalha as nuances dos seus personagens? O processo de construção deles é igual? Você tem liberdade para construí-los à sua maneira ou teve que seguir determinados pré-requisitos para construí-lo?
Caio Paduan – Eu adoro o desafio que a minha profissão proporciona, porque realmente não é fácil embarcar nesses personagens, que além de serem opostos entre si também são em alguns pontos opostos a mim, mas existe toda uma preparação para eles, um estudo meticuloso. O processo básico de criação deles é o mesmo, que são as leituras, as referências, o estudo, laboratório. Porém, quando já passamos dessa fase inicial e as gravações começam, é aí que as diferenças se acentuam.

Nós geralmente temos um pouco de liberdade na construção dos personagens, é tudo sempre alinhado com a direção, os roteiristas e os autores, o intuito é enxergar o que o personagem pode vir a ser e, para isso, é bacana ter uma visão ampla com a ajuda de todos os envolvidos.

Como está sendo sua preparação para viver o Joaquim que é um Playboy? Você poderia contar um pouco mais do personagem?
Caio Paduan – A preparação ainda é muito inicial, estamos começando os ensaios agora, então não consigo adiantar muito, pois esses detalhes podem mudar. Mas tenho feito aulas de surfe e estou revivendo um pouco a atmosfera dos anos 90. O Joaquim é um personagem bem controverso, ele circula tanto no lado dos mocinhos quanto nos dos vilões; é cheio de conflitos internos. Vai ser interessante trazer essa complexidade para a tela, espero que as pessoas consigam entender ele.

Você vem do teatro, como foi o processo de adaptação para TV? Seu início foi em Malhação em 2011, e como protagonista, ainda existe o friozinho no estomago em encarar novos personagens? Tem algum personagem que seja seu sonho de consumo?
Caio Paduan – Sim, o teatro é a minha base artística. A adaptação para a televisão não é tão extrema, pois em uma novela temos um espaço maior para corrigir os detalhes, o que o teatro, por ser ao vivo, não permite. O que foi mais complicado para mim no início foi o ritmo de gravação, que é muito intenso. São 20/25 cenas por dia, senão mais, entre elas diurnas e noturnas. Pode ser bem pesado, mas é uma sensação boa! O frio na barriga vai existir para sempre, acredito. É começar do zero, um novo trabalho, novas experiências… Eu tenho vários personagens ainda que quero fazer, gosto dos trabalhos mais extremos, que são completamente fora da minha realidade, isso permite que eu saia da minha zona de conforto.

 O reconhecimento do seu trabalho veio cedo, a fama também, como você lida com ela? A vaidade vai além do personagem?
Caio Paduan – A minha profissão tem bastante exposição, sempre soube disso, então encaro a fama como uma consequência do meu trabalho. Não acho que há uma forma certa de lidar com ela, sou uma pessoa reservada e busco sempre evidenciar os meus trabalhos ao invés da minha vida pessoal. A vaidade não vai além do personagem, sou zero vaidoso. É claro que preciso me cuidar, cuidar do meu corpo, pois ele é a minha ferramenta de trabalho, então é por isso que me exercito e como de forma saudável.

Cada ator tem um processo, uma escolha. Você vem do teatro, cinema e televisão são consequências do seu trabalho ou fazem parte do seu processo de construção como ator?
Caio Paduan – Eu acredito que as outras vertentes fazem parte da nossa evolução como profissional, é importante estarmos sempre nos desafiando e saindo da zona de conforto. É essencial para a nossa construção artística. Eu amo o teatro, estava com muitas saudades de fazer e a oportunidade na obra “O Leão no Inverno” surgiu no momento certo; também adoro as novelas, dão uma descarga de energia que aprecio bastante; agora o cinema é uma grande paixão minha e que quero fazer mais, com certeza.

Você integra o grande time de jurados do 8º Festival de Teatro Universitário 2018, ao lado de grande nomes como Cássia Kiss e Leopoldo Pacheco, qual é a sensação de estar entre eles? Como foi o convite para compor essa banca? E os critérios do festival, como vai funcionar?
Caio Paduan – Pois é, estou bastante feliz com o festival! Estar, novamente, ao lado de grandes artistas do teatro como eles é ótimo. O convite veio através do Miguel Cocker, organizador do festival que me conheceu assistindo colegas em festivas passados. Eu tenho um respeito muito grande pelo teatro, sei o quanto é difícil viver da nossa arte e ainda mais em tempos de crise como estamos passando, mas os meus critérios serão muito justos, acho importante a coerência do roteiro e do ator em ação, a estética da cenografia, a trilha musical. Vou me basear bastante nos conselhos que ouvi durante todos esses anos de profissão. São detalhes que cativam o público que assiste tanto quanto o ator que está em cena.

fotos: divulgação

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