Muitas vezes retratar a realidade incômoda muito as pessoas, e costuma ser um pouco mascarada pela sétima arte, esse é o caso de Meu Anjo. Esse drama francês traz a realidade de muitas crianças que vivem abandonadas pelas mães que são muitas vezes viciadas, nesse caso, principalmente, em álcool. Logo no primeiro momento, já somos apresentados a Marlène, uma mãe que simplesmente não se importa com sua filha Ellie, passa o dia todo bebendo e se divertindo em festas. Em seguida, com visita de um assistente social, podemos entender o medo da mãe de perder a filha, ao mesmo tempo, a filha que mesmo sendo totalmente mal tratada, também não quer perder a mãe.

Dirigido e roteirizado por Vanessa Filho, o longa mostra o olhar infantil quase 100% do tempo, até porque dentro do enredo, em um ponto a mãe some, deixando que a criança se vire sozinha. Em um certo momento, é possível que pensemos ser impossível uma história dessa acontecer, afinal como uma criança pode viver sozinha, como o conselho tutelar não irá intervir ou os adultos ao redor não iram falar nada. Infelizmente não necessitamos ir a França para acreditar, ao nosso lado, no nosso país essa história se repete todos os dias.

Muitas vezes a dualidade de uma mãe que ama a filha e se preocupa, também pode abandonar fica perdida em um superficialidade da personagem. Muitas vezes os detalhes poderiam enriquecer a trama e causar mais impacto em relação à mãe. Julio, um estranho que acaba virando um grande amigo para Ellie, acaba sendo apresentado muito tarde na trama, mas mesmo assim traça um bom arco emocional com a menina. Se apresentado um pouco antes, daria mais dinamismo e traria uma ligação maior do personagem.

Meu Anjo traz bonitas atuações sobre um drama muito real, que pode acontecer na porta ao lado da sua.

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