Filme baseado nas HQ’s de Luciano Cunha criada em 2008, teve sua história rejeitada por várias editoras brasileiras com medo de processos, já que na história o grande vilão é o político corrupto. Em março de 2013, Luciano volta a mexer no projeto e faz algumas mudanças, como colocar a máscara no anti herói, em junho do mesmo ano começaram as manifestações políticas no Brasil. O autor aproveitou que o personagem ganhou força na internet, conseguiu a visibilidade necessária para vender todas as cópias físicas das três edições da HQ e começou a negociar sua adaptação para o cinema.

Fica visível neste fato que a ideia de um super-herói, sem poderes especiais ajudou a criar uma ideia de esperança para uma nação real. A sede de justiça paira cada vez mais sobre a população na ficção, assim como na realidade.

Um importante ponto é que O Doutrinador se trata apenas de uma ficção. Mesmo contendo diversas semelhanças com o nosso Brasil, inclusive o nome de um município citado, o longa  mistura alguns fatos que já aconteceram na realidade. Esse ponto fica visível a partir da linguagem cartunista em vários momentos: leds pela cidade, uma mistura de locais que conhecemos em uma só, cores e até mesmo em um detalhe como o táxi preto.

Em grandes momentos de emoção, ângulos mais fechados são apresentados aumentando ainda mais a agonia. As cenas noturnas são sombrias, com o intuito de dar um de mistério. Como é de se esperar, muitas mortes ocorrem ao longo do enredo, e precisam ser parabenizadas por sua arte. Sem ultrapassar o limite, vemos algumas cenas explícitas produzidas talentosamente.

Perante um longa tão visual, onde a imagem explica tudo, a trilha musical vem complementando a experiência sensorial. Com músicas fortes que possuem letras explícitas e lotadas de críticas, somos abordados a pensar sobre o assunto, até mesmo quando sobem os créditos. O ritmo acelerado da montagem permite o espectador em ser um entusiasta nas cenas de ação.

Embora existam alguns problemas na construção dos personagens, por serem apresentados de maneira corrida. O filme deixa a questão é  levantar questionamentos reais e abre um caminho para um novo segmento tão comum, internacionalmente. Detalhes como uma frase na parede ‘Quem não reage, rasteja.’, não possa desapercebido.

O Doutrinador chega aos cinemas  após as eleições, quando o nosso futuro político já terá tido uma decisão. Chega para lembrar que independe do que aconteça, o povo também precisa lutar e pensar que a corrupção começa como algo menor e mais tratável. Sem julgamentos ao certo e errado, vemos uma produção que vem do DNA para a tela.

 

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