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Os Invisíveis: Uma produção instigante sobre a Segunda Guerra Mundial

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Dizem que relembrar os erros do passado é uma forma de não repeti-los no futuro. Assim, um dos períodos históricos mais retratados pelo cinema, a perseguição nazista ao judeus durante a Segunda Guerra Mundial, é justamente o tema de Os Invisíveis, produção alemã roteirizada e dirigida por Claus Räfle. O longa conta a história de Hanni Lévy (Alice Dwyer), uma jovem orfã, Cioma Schönhaus (Max Mauff), um talentoso falsificador, do adolescente Eugen Friede (Aaron Altaras), e Ruth Arndt (Ruby O. Fee), a qual perde o contato com a família. O que os quatro têm em comum é o fato de serem judeus e, portanto, terem que se esconder à vista de todos – tornando-se invisíveis – para não serem mandados para os campos de concentração.

O primeiro aspecto que chama a atenção no filme é o design de produção, que exibe uma reconstrução da década de 1940 bastante apurada, exibindo um certo charme que contrasta com os acontecimentos da trama. Porém, o diferencial de Os Invisíveis está em sua estrutura narrativa: a ação de desenrola intercalada com os depoimentos dos verdadeiros Hanni, Cioma, Eugen e Ruth, os quais compõem a última geração de sobreviventes da caça aos judeus sob as ordens de Hitler. Com isso, a produção ganha um ar quase documental que é o que pode atrair mais o público por mostrar as pessoas de carne e osso que viveram aquelas histórias.

Esta foi uma decisão arriscada, uma vez que este modelo de narrativa é mais comum na televisão, onde as reconstituições dos eventos costuma ser alvo de críticas por seu viés caricatural e as transições abruptas. Neste caso, o diretor pareceu ter uma preocupação com este aspecto mas não sou dosar muito bem o que é dito e o que é mostrado, pois a narração das pessoas reais e a das personagens se mesclam a fim de costurar a trama, porém, em muitos momentos esta narrativa se torna redundante pois as personagens estão narrando exatamente o que é visto na tela. Por outro lado, o desempenho do elenco ajuda a tornar este lado da produção mais crível – com destaque para Alice Dwyer e Ruby O. Fee, que, presas na condição de serem “invisíveis”, conseguem comunicar muito só com o olhar -; o resto do elenco entrega atuações competentes, mas nada digno de nota.

No entanto, há um aspecto do trabalho de Räffle que prejudica o desenvolvimento da história: o roteiro possui muitos diálogos expositivos, fazendo com que eles percam sua fluidez e naturalidade em diversos momentos, quando uma personagem diz a outra um detalhe que o público precisa saber para que a trama avance; isso provoca um truncamento na narrativa e pode acabar tirando um pouco o foco do espectador. Além disso, no ato final, quando a guerra está em seu auge, a produção teve problemas com as cenas externas, nas quais deveriam ser vistas as consequências dos bombardeios – muitas vezes quando eles estavam acontecendo -; talvez o orçamento não tenha permitido fazer algo melhor trabalhado, recorrendo a inserir o som das bombas nos cenários de destruição – os quais exibem certa artificialidade -, o que confere às cenas uma aparência novelesca.

Assim, Os Invisíveis é um filme que possui uma boa história, relevante até os dias de hoje, personagens interessantes e uma boa reconstrução de época, porém, falha no desenvolvimento da trama por causa de seu excesso de exposição e não consegue realizar transações fluidas e naturais entre as suas partes ficcional e documental, um aspecto que, no fim, acaba prejudicando o filme, pois em sua ânsia de se afastar o máximo possível do tom televisivo, o diretor e roteirista Claus Räffle tenta dar um passo maior do que a perna – ou mais do que o orçamento permitia -, o que faz com que a trama ganha ares folhetinescos que contrastam com a linguagem mais cinematográfica que vinha mantendo até então. Mas, resumindo tudo: é um filme ruim? Não, muito pelo contrário, já que a história é instigante. No entanto, não é uma grande produção cinematográfica – em questões técnicas e narrativas, não apenas financeiras -; por fim, parece ser um especial para TV muito bem feito.

 

 

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