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TRAGA-ME A CABEÇA DE LIMA BARRETO! NO CCJF

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Desde a estreia, em abril de 2017, Hilton Cobra vem arrebatando crítica e público com o seu monólogo “Traga-me a cabeça de Lima Barreto!”, escrito especialmente por Luiz Marfuz para celebrar seus 40 anos de trajetória artística. Foram mais de 10 mil expectadores e dezenas de críticas que ressaltam o valor artístico do trabalho – uma potente junção de crítica social, racial, poesia e arte, criada graças a um coletivo que reúne profissionais como Fernanda Júlia (direção), Marcio Meirelles (cenário), Jorginho de Carvalho (luz), Zebrinha (direção de movimento), Jarbas Bittencourt (música) e Biza Viana (figurino).

A peça mostra uma imaginária sessão de autópsia na cabeça de Lima Barreto, conduzida por médicos eugenistas, defensores da higienização racial no Brasil, na década de trinta. O propósito seria esclarecer “como um cérebro considerado inferior poderia ter produzido uma obra literária de porte se o privilégio da arte nobre e da boa escrita é das raças tidas como superiores?”. A partir desse embate, Traga-me a Cabeça de Lima Barreto! mostra as várias facetas da personalidade e da genialidade de Lima Barreto, a obra não reconhecida e os enfrentamentos políticos e literários de sua época – cenas enriquecidas pela exibição em telão de trechos dos filmes “Homo Sapiens 1900” e “Arquitetura da Destruição” – ambos cedidos gentilmente pelo cineasta sueco Peter Cohen. Os atores Lázaro Ramos, Frank Menezes, Harildo Deda, Hebe Alves, Rui Manthur e Stephane Bourgade – todos amigos e admiradores do trabalho de Cobra, emprestam suas vozes para a leitura em off de textos de apoio à cena.

Trazer Lima Barreto para o primeiro plano desse debate, encontrar um equilíbrio entre as reflexões sobre a eugenia e a vida e obra do escritor foi, para Luiz Marfuz um desafio: “Obviamente estamos tratando de uma situação imaginária, um Lima idealizado. Ele sempre se colocou como um escritor militante; e isso é nitidamente visível não só nos romances, mas nas inúmeras crônicas em que defendeu suas ideias humanistas, com fortes doses de anarquismo e socialismo, posicionando-se contra a política, os governantes, o sistema econômico, as injustiças sociais. Mas a questão da eugenia não foi tratada por ele de forma direta e aberta. Então a arte cria um espaço para que Lima, após uma vida marcada pelo alcoolismo, loucura, a indigência cotidiana e a discriminação racial, retorne com a consciência dessas questões para defender suas ideias”, explica Marfuz.

Responsável pela direção do espetáculo Fernanda Julia, destaca “O diálogo crítico e politizado sobre negritude é um disparador potente do fazer cênico do NATA, grupo do qual sou diretora. Esses elementos foram fundamentais para que eu percebesse quais caminhos trilhar na construção do espetáculo. Sou uma provocadora e problematizadora por natureza, e acho que a encenação deve seguir este caminho – provocar a reflexão e problematizar o que está posto. São dois caminhos que sigo e que fundamentam minhas escolhas poéticas e estéticas. Sou uma encenadora negra e afirmativa, desejo sempre colocar em cena a beleza, a grandiosidade e as vitórias do meu povo.”

Hilton Cobra, que criou a Cia dos Comuns em 2001 com o propósito de trazer à cena uma cosmovisão artisticamente negra especialmente no âmbito das artes cênicas, fala da motivação para encenar Traga-me a cabeça de Lima Barreto!: “É importante e providencial discutir eugenia e racismo a partir de Lima Barreto. Também é um reconhecimento a Lima – um autor tão pisoteado, tão injustiçado, que pensou tão bem esse Brasil, abriu na literatura brasileira ‘a sua pátria estética’, os pisoteados, loucos, os privados de liberdade – esses são os personagens de Lima Barreto. Acredito que ele deve ter sido, se não o primeiro, um dos primeiros autores brasileiros que colocaram esse ‘submundo’ em qualidade e com importância dentro de uma obra literária”.

SERVIÇO:
TRAGA-ME A CABEÇA DE LIMA BARRETO!
De 19 de outubro a 11 de novembro de 2018 | De sexta a domingo, às 19h.
Centro Cultural da Justiça Federal (Av. Rio Branco, 241 – Centro)
Ingressos: R$ 30,00 (inteira) | R$ 15,00 (meia-entrada) | R$ 10,00 (promocional)
Classificação etária: 14 anos | Duração: 60 minutos | Lugares: 140

Rota Cult
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Redação do site E-mail: contato@rotacult.com.br

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