Ao longo dos seus 55 anos de existência, o Festival Villa-Lobos tem se dedicado a manter viva a obra de seu patrono, ao mesmo tempo em que exalta grandes artistas brasileiros, postumamente ou em vida. Nesta 56ª edição, pela primeira vez, serão dois os homenageados – os compositores Edino Krieger e João Donato, cujo legado indiscutível à música brasileira de concerto e popular vem há décadas influenciando músicos de diferentes vertentes e gerações. Ainda em atividade, os dois completam 90 e 84 anos, respectivamente, e terão suas obras revisitadas na programação, que se estende de 10 a 18 de novembro. Com realização do Museu Villa-Lobos e Sarau, o festival ocupa espaços como a Caixa Cultural, Teatro da CAIXA Nelson Rodrigues, Teatro Riachuelo Rio, Escola de Música Villa-Lobos e o MAR.

A primeira homenagem acontece já na abertura do festival, no sábado, dia 10, no Teatro da CAIXA Nelson Rodrigues, quando a Orquestra Cesgranrio, conduzida pelo maestro Eder Paolozzi, apresenta obras de Edino Krieger e Villa-Lobos, dentro da série Brasil Sinfônico. Discípulo de Koellreutter, com quem estudou no Brasil, Edino teve sólida formação musical, da qual fazem parte mestres e instituições de renome no exterior, como Peter Mennin, na Juilliard School, em Nova Iorque; Aaron Copland, na Berkshire Music Center, de Massachussets, e Lennox Berkeley, da Royal Academy of Music, de Londres. Sua prolífica carreira lhe rendeu diversas distinções e honrarias no Brasil, Itália e Polônia, além quatro títulos Doutor Honoris Causa. Entre as peças do programa, destaca-se a Brasiliana – escrita por Edino originalmente para viola e orquestra e transcrita para sax e orquestra por Paulo Moura, com o aval do compositor –, que terá como solista o saxofonista Leo Gandelman. No concerto, Leo fará também a estreia mundial de sua versão das quatro canções da Floresta do Amazonas, de Villa-Lobos.

No feriado do dia 15 de novembro, o próprio João Donato sobe ao palco do Teatro Riachuelo Rio, com participação especial da cantora Fabiana Cozza, para traçar um panorama de sua carreira de quase 70 anos, dentro da série Música sem Fronteiras. Dono de vasta obra, o compositor, pianista, cantor e arranjador é parceiro de grandes nomes da música brasileira, incluindo Tom Jobim, João Gilberto, Eumir Deodato, Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Joyce, Marcos Valle, Martinho da Vila, Cazuza e Paulo César Pinheiro, para citar alguns. Autor dos clássicos A rã, Naquela estação, A paz e Simples carinho, Donato mostrará, ao piano, músicas de discos referenciais das décadas de 60 e 70, em especial Muito à vontade, Quem é quem e Lugar comum, até trabalhos mais recentes.

Durante o festival, o Museu Villa-Lobos exibirá sua mais nova aquisição: o violinofone – instrumento musical raro utilizado por Heitor Villa-Lobos em suas obras sinfônicas Uirapuru e Amazonas. Segundo o compositor francês Olivier Messiaen, “Villa-Lobos foi o maior orquestrador do século XX” e esse pensamento orquestral imaginativo de Villa-Lobos tira partido de instrumentos inusitados e combinações ousadas para criar novos timbres, texturas e massas sonoras. O instrumento poderá ser apreciado na exposição Uirapuru – O Pássaro Encantado da Amazônia. Segundo sua curadora, a musicóloga Maria Alice Volpe, “os poemas sinfônicos/bailados Uirapuru e Amazonas estão entre as obras mais representativas do paisagismo e indianismo modernistas de Villa-Lobos, cuja linguagem musical expressa a floresta amazônica, monumental e maravilhosa, como uma metáfora do Brasil.” Na exposição, além de conhecer de perto o violinofone, o visitante terá, entre outras, a inédita oportunidade de acompanhar a partitura do Uirapuru, sincronizada com a gravação da obra.

A Mostra Cine Brasil Música deste ano exibe na Caixa Cultural, sempre com entrada franca, os filmes Maestro Bocchino, de Aluisio Didier (15/11), Nasci para bailar: João Donato Havana-Rio (15/11) e João Donato (17/11), ambos de Tetê Moraes; Coisa mais linda – Histórias e casos da Bossa Nova, de Paulo Thiago (16/11), e ainda Palavra (EN) Cantada, de Helena Solberg (18/11).

Um dos pilares do FVL, o Núcleo Pedagógico será composto por palestras e mesas redondas no MAR, aulas abertas no Museu Villa-Lobos e ainda pela série Mestres em Cena, no Teatro da CAIXA Nelson Rodrigues, dedicada às apresentações dos artistas que irão ministrar as Oficinas de Formação em Música de Câmara, na Escola de Música Villa-Lobos, e que fazem parte da vertente educativa do festival, oferecendo oportunidade a jovens artistas de aprenderem com músicos experientes. Além de uma premiação em dinheiro, os vencedores se apresentarão na Série Jovens Cameristas do ano seguinte. Neste ano, a Série recebe os vencedores de 2017 – o Trio Porã, Duo Perazzo Coelho, e o Trio de Palhetas, sempre às 17h, no Teatro da CAIXA Nelson Rodrigues. No dia 18/11, acontece o encerramento do Núcleo Pedagógico e a premiação do concurso.

SERVIÇO:
56º Festival Villa-Lobos
De 10 a 18 de novembro
Programação

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