Dia 29 de novembro chega às telinhas nacionais o mais novo filme de Danilo Gentili e Fabrício Bittar. A comédia que tem como pano de fundo o terror inspirado no cinema trash das décadas de 80/90, acabou sugerindo uma nova classificação: o “terrir” (uma mistura de terror com rir).

Os Exterminadores do Além Contra a Loira do Banheiro conta a história de um grupo de amigos que tem um canal no Youtube no qual eles transmitem vídeos exorcizando fantasmas em locações sombrias. O fato é que o material é muito mal produzido e o canal vai de mal a pior, uma vez que os próprios amigos e integrantes do grupo não acreditam no que fazem e o fazem apenas por views e dinheiro. As coisas obviamente não vão muito bem quando o Diretor Nogueira (Sikêra Junior), do Colégio Isaac Newton, liga para a central dos caçadores de assombrações e os contrata para acabar com rumores de que o espírito da Loira do Banheiro está à solta nas dependências da escola depois que um aluno teve uma convulsão no banheiro.

Quando vão realizar o trabalho, Jack (Danilo Gentili), Fred (Léo Lins), Túlio (Murilo Couto) e Caroline (Dani Calabresa), só querem seguir o roteiro de sempre e pegarem a grana, quando se veem diante de um espírito de verdade.

A lenda urbana da loira do banheiro, como tantas outras, permeia o inconsciente coletivo, e foi bem trabalhada no filme. O diretor conseguiu criar uma atmosfera que não perde em nada para os principais títulos dos gêneros de terror da atualidade. Com alguns efeitos especiais interessantes, a personagem foi muito bem trabalhada.

Os primeiros 15 minutos de filme são muito fracos, com a apresentação dos personagens. Piadas péssimas, atuações sofríveis e constrangimento. Levaria o selo “Zorra Total” com toda a certeza. Agora, se você sobrevive à estes 15 minutos, quando o grupo chega no colégio para iniciar a busca ao espírito da Loira do Banheiro, então você começa a se apegar a trama.

E é aí que mora, o fato mais interessante acerca do filme. A história é muito boa de ser contada, e foi até, bem amarrada. Eu diria que se tirássemos a comédia do enredo, teríamos então um terror clássico, uma ode ao cinema trash não só nacional, mas mundial.

Agora, a marca de Exterminadores do Além e A Loira do Banheiro fica com a quantidade de sangue utilizado nas cenas. Desde a primeira cena do filme, inclusive, quando os meninos invocam o espírito no banheiro. Depois da primeira morte, (extremamente sangrenta), não há mais uma cena sequer no filme sem sangue no quadro. Os atores “reclamaram” disso na entrevista coletiva. Inclusive dois dos atores tiveram que ir para o pronto socorro por reações ao sangue artificial. Foi a maior dificuldade que todos os envolvidos no filme. No entanto, as referências ao terror da década de 80/90 pedia este elemento.

Pulando para as atuações, menção honrosa para Pietra Quintela, a atriz mirim que interpreta a Loira do Banheiro, Catarina. A menina dá um show, inclusive colocando o restante do elenco, (exceto pela experiente Barbara Bruno, que equilibra o casting), no chinelo. Entrando nesse aspecto, tentando ser bem imparcial e justo, o ponto fraco é justamente a atuação dos comediantes. Não dá para dizer que por culpa dos mesmos. É muito difícil para um comediante se desprender da imagem que ele constrói como tal. Alguns até tentam vestir o personagem, mas a missão não é fácil e fracassa. Diria que Danilo é o que menos se esforça. Em algumas cenas parece que ele tem preguiça de atuar e simplesmente opta por ser só o Danilo mesmo.

Dani Calabresa é a que mais consegue atuar de fato, mas é sacada da trama estranha e precocemente. No entanto, personagens secundários e pobres como os professores Ricardo e Renata, duram o filme todo quase sem função. Surpresa interessante foi a presença do jornalista pernambucano Sikêra Júnior, convidado por Gentilli por ter um vídeo seu viralizado na Internet. Sikêra manda muito bem como o diretor Nogueira. Barbara Bruno está impecável, inclusive se expondo ao ridículo muitas vezes, mostra todo o profissionalismo da atriz.

No final das contas, Os Exterminadores do Além contra A Loira do Banheiro é até um bom entretenimento se você não está muito crítico e só quer comer pipoca e se divertir um pouco. Mas a sensação que tenho é que o cinema brasileiro perdeu uma boa oportunidade de produzir um filmaço de terror (e só de terror), com uma super história de fundo.

 

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