“Samba Só” é o primeiro disco solo de Alfredo Del-Penho desde o premiado Samba Sujo, que há dois anos lhe rendeu o troféu de melhor cantor de samba pelo Prêmio da Música Brasileira, o mais importante do gênero no Brasil. É um disco autoral de inéditas que inclui parcerias com três gerações da música brasileira: a de Nei Lopes, Joyce Moreno, Délcio Carvalho e Paulo César Pinheiro; outra, representada por Zélia Duncan e Chico César, e a de seus companheiros da revitalização da Lapa, João Cavalcanti e Pedro Miranda. O disco contempla vários subgêneros do samba – do samba-canção ao samba mais ligeiro –, revela o virtuosismo de Alfredo também no violão de 7 cordas e mostra um olhar contemporâneo para o gênero enquanto reverencia os grandes mestres da voz e do violão brasileiro.

Para o show de lançamento, em 11 de dezembro, no Teatro Riachuelo Rio, Alfredo contará com a participação de sua companhia de teatro, Barca dos Corações Partidos – com a qual, somente neste ano, conquistou seis prêmios na categoria de Melhor Música pela direção musical, entre eles, o Prêmio Shell – e de Pedro Miranda, João Cavalcanti e Moyseis Marques, que além de seus parceiros, são intérpretes recorrentes de sua obra.

Mesmo num disco só de sambas como o título já indica não sem certa ironia, Alfredo passeia de forma (sim!) exuberante por muitos dos seus subgêneros. Estão lá desde um samba de terreiro ao estilo da Portela (“ouve-se” a voz de Monarco como se fosse um velho samba de Alcides, Manaceia ou até Paulinho da Viola), ao mesmo tempo melancólico e empolgante como Quando te perdi (Eu juro), a uma bossa nova como Depois da hora, no estilo daquelas primeiras gravações de João Gilberto tipo Brigas nunca mais de Tom e Vinicius ou Saudade fez um samba de Lyra e Bôscoli, mas com a letra de Joyce Moreno atualizando o subgênero, “Eu liguei, você não respondeu/Não ligou e nem apareceu/E vem dizer que o celular morreu”, e Alfredo ao violão enchendo de acordes a levada rítmica que faz lembrar João mas também Luiz Bonfá, ou a homenagem daquele para este, “Um abraço no Bonfá”. Estão lá um samba canção clássico como Relance, cuja letra de Paulo César Pinheiro não poderia versar sobre outra coisa que não a ilusão do amor, ou um samba “baiano”, puxado para o ijexá, o singelo Canto das gaivotas, uma das últimas letras do falecido Délcio Carvalho, parceiro-de-fé de Dona Ivone Lara.

  Exuberante também foi a forma que Alfredo escolheu para selecionar o repertório de “Samba só”. A cada show autoral que fazia, ele cantava umas 25 composições novas e pediu ao público para votar nas preferidas. Daí, foram selecionadas composições muito pessoais, como Tudo é milagre, que fez a partir da descoberta da água por seu filho pequeno, ou A vida espera em cada esquina, uma celebração da amizade em música e letra. Fora do repertório do disco, como faixa-bônus, Alfredo regrava Quando te esqueci, um tour de force de voz e violão, um exercício exuberante (com perdão da insistência no termo) desta arte tão brasileira de cantar e se acompanhar em nível tão alto de execução de ambos instrumentos, a voz e o violão.

 Dos compositores de sua geração do Rio, companheiros do Samba da Gávea, Alfredo não por acaso escolheu parcerias para abrir e fechar o disco, como são os dois sambas de alguma forma metalinguísticos, que falam da própria arte de compor. Com Pedro Miranda, mais conhecido como cantor, mas que vem aos poucos ensaiando as primeiras composições, Alfredo apresenta o singelo Desengaiola, exatamente sobre esse difícil ato de deixar a criação, como um passarinho em princípio engaiolado, ganhar o espaço. Já a letra de João Cavalcanti, que encerra a ideia do disco, Pra quem quiser escutar é o reforço da ideia de que o novo sempre vem e a música brasileira há de ser renovar sempre: “Tudo ainda pode ser dito/Num verso bonito que nenhum poeta pensou/E a ideia há de surgir com sabor de novidade”.

Traduzido, por exemplo, na naturalidade de um samba clássico como “Longe de tudo”, parceria de Alfredo com Zélia Duncan que parece igual a todos os sambas – na sua melodia fluente e na sua letra sobre um amor que acabou e quer voltar – mas que é ao mesmo tempo nos detalhes diferente de tudo, “Sem complicar, sem distrair”, como diz a letra à guisa de definição do samba de Alfredo Del-Penho, do samba brasileiro que não para de se fazer, sempre igual mas sempre diferente. No caso de Alfredo, de um tipo de composição muito fincado na tradição, mas com inspiração, técnica, empolgação e, com perdão da insistência, e a exuberância de um artista que atinge a maturidade com o frescor de quem está sempre começando.”

Serviço:
Show de lançamento do CD Samba Só
11 de dezembro, às 20h
Local: Teatro Riachuelo Rio (Endereço: Rua do Passeio, 38/40 – Centro)
Bilheteria: ter a sáb das 12h às 20h e feriado das 11h às 17h. Em dias de espetáculo a bilheteria funciona até 1 hora depois do início do mesmo.
Venda online: https://www.ingressorapido.com.br
Classificação etária: livre

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