Em circulação mundial há cinco anos e apresentada em quinze países, a peça “Cárcere” será realizada pela primeira vez no Rio de Janeiro. O monólogo já foi encenado em festivais de teatro, como o 8th Theatre Olympics, na Índia, Tiyrano Medresesi Sirince, na Turquia, e no 11th Monodrama Festival, em Kiel, na Alemanha.

O espetáculo, encenado pelo ator e diretor Vinícius Piedade, trata de uma semana na vida de um pianista que, privado da liberdade e de seu piano, será refém em uma rebelião iminente. No cárcere, ele vive em contagem regressiva e suas expectativas, impressões, lembranças, reflexões e sensações são expressadas em um diário iniciado em uma segunda-feira e encerrado quando estoura a rebelião, num domingo. Quem assina o texto é Saulo Lima e Vinícius Piedade. A trilha sonora é de Manuel Lima. A produção do monólogo é da Palavra Z.

A narrativa de “Cárcere” é um convite para o público refletir a respeito das liberdades e prisões que nos rodeiam. A proposta estética da peça percorre diferentes camadas e linguagens, desde o humor corrosivo de um homem em estado de sítio a momentos essencialmente corporais. “Eu preferia tocar piano e dizer o que tenho para dizer em ritmo e disritmia, mas como aqui não tem piano eu escrevo, mesmo sem saber fazer poesia”. Por meio de uma linguagem acessível e visceral, a peça leva à cena camadas de profundidade que visam proporcionar ao público um mergulho em diferentes perspectivas de ser e estar preso. Ou livre.

Diante da dificuldade de se sustentar com a música, um pianista aceita o convite de um amigo que lhe oferece um bico de venda de drogas, aproveitando o fato de ele ter contato com tanta gente nos tantos bares onde toca o piano. Na prisão, ele tenta negociar com a direção do presídio a entrada do seu instrumento para ensinar outros presos a tocar, quando líderes de facções criminosas acham que essas conversas são caguetagem, o jurando de morte.

A direção da cadeia, em uma tentativa precária de protegê-lo, o coloca na Ala dos Seguros, junto a outros presos que correm risco de vida. O problema é que quando há rebelião na cadeia, quem é candidato natural a refém é justamente quem está́ nessa ala.

Quando começa a surgir um boato de que uma rebelião está na iminência de estourar, ele começa a escrever um diário. Aqui começa a peça. O pianista, apelidado Ovo, está em uma semana decisiva de sua vida, entre a segunda-feira, quando descobre que será refém, e domingo, quando estoura a rebelião. Trata-se, então, da teatralização do diário escrito por esse preso na semana em que vive uma espécie de contagem regressiva. Suas reflexões, lembranças e razões para, como escreve, continuar se equilibrando na linha tênue entre persistir e desistir. “Na beira do vulcão prestes a entrar em erupção, na linha do trem que está vindo, na mira da bala com a arma já́ engatilhada”, como expressa o ator em solo no palco, em vibrante contato direto e indireto com o público.

Depois de percorrer alguns presídios do estado do Espírito Santo apresentando o espetáculo solo Carta de um Pirata, Vinícius Piedade propôs ao dramaturgo Saulo Ribeiro uma peça que refletisse sobre a liberdade pelos olhos de um pianista privado da sua e, assim, de sua arte e do seu piano. Na criação do texto, o coautor Saulo Ribeiro se baseou em acontecimentos reais dos quais teve conhecimento e vivência na época em que foi professor no sistema prisional.

SERVIÇO
“Cárcere”
De 17 de janeiro a 3 de março
Centro Cultural Banco do Brasil – Teatro II (Rua Primeiro de Março, 66 – Centro)
De quinta a domingo, às 19h30
Capacidade: 153 lugares
Duração: 75 min
Classificação Indicativa: 14 anos

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