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VICE: Adam McKay recheia de metáforas e alegoria cinebiografia de Dick Cheney

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O meio político e suas intrigas sempre rendeu filmes excepcionais, assim como as cinebiografias – em especial, quando encontram uma nova forma de contar estas histórias. Este é o caso de Vice, produção que, felizmente, não se encaixa em um único gênero. O longa trata da vida de Dick Cheney (Christian Bale), que, na juventude, aproximou-se do Partido Republicano ao perceber que, no campo político, havia uma grande chance de ascender social e financeiramente – o que, de fato, acontece. Até que, com a renúncia de Nixon devido ao escândalo de Watergate, os poucos republicanos que não estavam envolvidos com o governo ganham destaque; com isso, Dick alcança o alto escalão do partido. Décadas se passam e quando George W. Bush decide lançar sua candidatura à presidência dos Estados Unidos, Cheney passa a ser almejado para o cargo de vice-presidente. Mas, para aceitar a proposta, ele impõe uma condição: caso a chapa seja eleita, Cheney terá amplos poderes dentro do governo.

Dirigido por Adam McKay, o filme tem seu grande trunfo no fato de não seguir as diretrizes de uma cinebiografia tradicional – e o espectador nota está diferença estilística a partir do cômico fim fake logo na primeira metade do longa. Recheado de metáforas e alegorias, Vice possui um tom sarcástico e levemente exagerado que beira as portas do paródico – e todas estas características são valorizadas por uma montagem criativa, trilha sonora imponente e uma excelente uso da metalinguagem. Além disso, a produção ainda conta com outras boas escolhas, tais quais imagens reais e participações especiais, como Naomi Watts,que interpreta uma jornalista que tem a função de manter o público – dentro e fora da tela – informado sobre os acontecimentos políticos da trama. E, para completar a lista de ótimas decisões do longa, há o mistério acerca da identidade do narrador onisciente que costura do enredo. Tudo isso faz com que o espectador se engaje na narrativa e esqueça as duas horas e 12 minutos de duração.

E, é claro, o filme ainda conta com as virtuosas atuações de seu elenco estelar, começando pelo camaleônico Christian Bale – irreconhecível na pele de Cheney -, que apresenta uma interpretação precisa e milimetricamente calculada. Assim como Amy Adams, que, aqui, entrega uma das melhores performances de sua carreira; de expressões ao sotaque, a atriz está impecável – aliada ao roteiro do próprio McKay, que fez a feliz escolha de não reduzir Lynnie Cheney ao ultrapassado papel de “só a esposa”, mostrando o lugar ativo dela na trama. Outros dois grandes nomes que estão ótimos em cena são Steve Carell – que dá vida a Donald Rumsfeld, um dos principais aliados de Cheney – e Sam Rockwell, que interpreta o presidente George W. Bush, pintado pelo filme como um eterno adolescente influenciável. E as atuações são elevadas pelos irretocáveis design de produção e trabalho de caracterização.

Assim, o filme é, sem dúvidas, um filme muito acima da média em todos os gêneros que perpassa, em todos os aspectos técnicos e dramáticos – em especial, o roteiro, que apresenta alguns momentos expositivos para situar o espectador em meio a tantas personagens políticas, mas isso é feito de forma tão criativa que não afeta a narrativa e acaba por ser uma aula de como fazer exposição no cinema – e se destaca por ser uma cinematografia debochada – que, logo de cara e com um pequeno insulto ao espectador, afirma que “fez o seu melhor”, sendo uma boa caricatura não somente de suas personagens, mas também da própria política americana – que inclui uma surpresa no meio dos créditos finais ao som de “America”, do musical “West Side Story”. Ou seja, trata-se de uma produção que mereceu cada uma das indicações que recebeu nesta temporada de prêmios.

 

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