Por Gabriel Alviano:

Alita é uma cyborg despedaçada que é encontrada e consertada por Dr. Ido. Por não possuir lembranças de antes de seu conserto, ela passa a conhecer mais sobre o universo cyberpunk em que está vivendo, cheio de violência e injustiça. Para descobrir mais sobre seu passado e proteger quem ama, ela deve enfrentar os inimigos que tentam destruí-la ao longo de sua jornada.

Com grandes efeitos visuais e belas cenas de ação, o filme leva o espectador para dentro da sua mitologia, como guerras, outras tecnologias e civilizações. Apesar disso, seu roteiro possui problemas, principalmente ao desenvolver seus personagens secundários.

Dr. Ido, interpretado por Christoph Waltz, possui uma série de mistérios, envolvendo sua família, que são revelados logo no início do filme. Isso acontece para justificar sua maneira super-protetora e paternal com Alita. Porém, quando ela decide se aventurar em um esporte perigoso e que pode lhe custar a vida, ele a apoia sem questionamentos.

Durante toda a história, acompanhamos o personagem de Mahershala Ali, Vector, e todo o seu desenvolvimento para vilão da trama. Mas isso é esquecido, pois o filme relembra a todo momento que existe um vilão maior controlando tudo, inclusive Vector. Quando chega a luta final, o espectador pode não se sentir tão envolvido, pois sabe que aquele não é o verdadeiro inimigo.

O próprio roteiro se perde um pouco, conforme vamos nos aproximamos do clímax, é notável que o filme não sabe ao certo que caminho seguir. Mostrar cenas de ação cada vez maiores ou desenvolver seus personagens e centralizar a trama? O filme escolhe a primeira opção, mas falha. Isso faz com que o final do filme seja bem corrido. Abrindo mão tanto de boas cenas de ação, com lutas apressadas, quanto do desenvolvimento narrativo.

Muito foi discutido nas redes sobre os olhos de Alita, e que estes poderiam incomodar algumas pessoas. Porém, quando entramos neste mundo cyberpunk somos apresentados a tantos cyborgs, com tantos apetrechos em seus corpos, que logo o espectador se adapta ao visual do filme. A direção de arte realmente consegue colocar o espectador para dentro daquele universo, sabendo sempre o momento de se usar CGI e efeitos práticos ou até cenários reais.

Um dos pontos fortes do filme, é a ação. Com ninguém menos que Robert Rodriguez na direção (Sin City, Machete, Um Drink no Inferno) ele trabalha com ângulos de câmera incríveis e transporta o espectador para dentro das lutas. Trabalhando a personalidade de cada cyborg, ele consegue fazer cada luta diferente da outra.

Este filme porém, não possui desfecho. Isso pode tanto incomodar quanto alegrar a quem assistir, pois ao que tudo indica, a FOX quer transformar Alita em uma franquia. Ela possui potencial para possíveis continuações, desde que o filme não se resuma a cenas de ação e explosões e se preocupe mais com seus personagens.

 

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