Com três temporadas de sucesso na capital paulista , a peça foi ganhadora do prêmio Shell 2016 na categoria Música e foi indicada em mais duas categorias – Iluminação e Figurino. Recebeu indicações ao Prêmio APCA, na categoria Dramaturgia e ao Prêmio Aplauso Brasil nas categorias Direção, Iluminação, Figurino e Espetáculo de Grupo.

A encenação tem como tema central a Guerra. Não o confronto direto e mortal que caracteriza a maior parte dos conflitos espalhados pelo mundo. Mas a guerra que pressupõe e deseja o embate com Outro – o Inimigo. Partindo do Cangaço, dos movimentos de resistência ao Estado, dos conflitos não oficiais conhecidos como revolta, ou banditismo, que sempre foram fortemente reprimidos – e que findaram, em geral, com a decapitação e exposição das cabeças de seus líderes -, a investigação se delineou em torno da tríade Guerra-Festa-Fé e se desdobrou em outros vertentes que tecem e nutrem o tema central: a vingança, os conflitos parentais, o nomadismo, a cerca, o ethos guerreiro, o valor da palavra, entre outros.

Do cangaceiro e do samurai, da mitologia hindu e da indígena, da cabra de João Cabral e da cabra de Dionísio, do pandeiro e da rabeca, da dança dos caboclinhos e dos cantos das Caixeiras do Divino, dos estudos biomecânicos e dos arquétipos animais do Kempô nascem os corpos e as vozes – dos atores e das matérias da cena – que narram as pequenas crônicas que compõem o espetáculo. Cabras é narrado, cantado, tocado e dançado por um bando de dez atores, bando de cabras. Ocoro/bando se sobrepõe à noção de protagonista. Assim, cada ator transita por tantos lugares quanto são as acepções dadas à própria palavra cabra: animal, gente, homem, mulher, bandido, polícia, diabo ou as expressões (e mitos) populares como “cabra macho”, “cabra safado”, “cabra marcado”, “cabra da peste”, a “cabra cabriola”, “a puta cabra”, e tantas outras. Como afirma a diretora Maria Thaís “para nós o termo evoca a potência transgressora do próprio animal, que não respeita cercas pois, como o poeta João Cabral de Melo Neto nos diz quem já viu cabra que fosse animal de sociedade?”

A composição dramatúrgica, criada por Luís Alberto de Abreu e Maria Thaís, é formada por vinte pequenas crônicas escritas por Luís Alberto de Abreu, organizadas no espetáculo em quatro partes, cada uma contendo cinco textos narrativo.

Em Cabras o espaço cênico/lugar é formado por um piso-terra, o sol vermelho e um único tronco de árvore e se transforma a partir da presença dos atores, do desenho da cena, dos figurinos, objetos, instrumentos, do desenho da luz e, principalmente, dos espectadores, que são pontos de convergência da cena. Os figurinos, diferenciados cromaticamente a cada bloco, se transformam através de sobreposições a uma roupa-base que remete à forma da calça usada no Cangaço, agregando a ela os elementos guerreiros, religiosos, festivos, etc.
O repertório musical e sonoro, investigado e praticado durante todo o processo de pesquisa, é resultado do trabalho de muitas mãos – direção, atores, do músico Alício Amaral, professor de rabeca durante todo o processo de investigação – e, na versão final do espetáculo, contou com a Direção Musical de Dr Morris. Construída a partir de dois instrumentos principais – a voz e a rabeca – a sonoridade é formada por cantos tradicionais (Brasil, México, Colômbia), cantos que remetem ao Cangaço, além de músicas especialmente compostas para o espetáculo.

SERVIÇO
CABRAS – cabeças que voam, cabeças que rolam”
Local: SESC Ginástico (Av. Graça Aranha, 187 – Centro)
Datas: de 13 a 24 de Fevereiro de 2019
Ingressos: R$ 30 – Ingressos são vendidos na bilheteria do teatro de terça a domingo, das 13h às 20h
Quarta a sábado 19h
Domingo 18h
Lotação: 513 lugares DURAÇÃO: 120 minutos
RECOMENDAÇÃO ETÁRIA: 12 anos

DEIXE UM COMENTÁRIO

Please enter your comment!
Please enter your name here