Enfim é carnaval! E para comemorar essa evento que nasceu como uma festa cristão que antecede a Quaresma, selecionamos dez filmes para você maratonar nos dias de Folia.

O Carnaval brasileiro se tornou um dos maiores eventos culturais, musicais e turísticos do mundo. O Rio de Janeiro influenciou várias outras cidades, como São Paulo, e até de outros países, como Tóquio no Japão e Helsinque na Finlândia. Os festejos são famosos em vários lugares do mundo, como o Carnaval de Máscaras de Veneza. Porém, foi Paris a responsável pela importação do evento para vários outros países, incluindo o Brasil.

Entre tantas representações culturais, o cinema veem contando ao longos dos anos um pouco dessa festa que faz a gente pular que nem pipoca. Confira abaixo 10 filmes sobre o Carnaval.

Alô Alô Carnaval (1936)
Produzido pela Cinédia, uma das mais importantes produtoras brasileiras na primeira metade do século XX e dirigido pelo fundador da produtora, Adhemar Gonzaga, o filme conta a história de dois autores (Barbosa Junior e Pinto Filho) em conseguir um empresário para sua revista chamada Banana-da-Terra. Indo a um cassino, lembram-se de que ali seria o local ideal e procuram o empresário (Jaime Costa), que recusa a oferta. Mas, como a atração contratada pelo empresário não chegara da França, ele corre em busca dos dois e aceita a revista. E durante o desenrolar do espetáculo, tudo o que existe de mais incrível acontece.

O filme traz sátiras de figuras e acontecimentos da época, que serviam de gancho para os incríveis números músicas, que contava com a presença da icônica cantora, Carmem Miranda.

Alô Amigos! – Aquarela do Brasil. (1942)
Este não é necessariamente um filme inteiro sobre o Carnaval, mas merece sua citação. Em 1942, um grupo de desenhistas, liderados por Walt Disney, fizeram várias visitas diplomáticas a cidades da América do Sul, que incluíam o Rio de Janeiro durante o Carnaval. Tal visita lhes deu inspiração para a criação do personagem Zé Carioca, o papagaio.

O nome do quadro é Aquarela do Brasil, em homenagem ao samba homônimo de Ary Barroso. Por trás da animação colorida, e dos acessos de raiva do Pato Donald, o longa de Disney tem uma motivação política, assegurar o apoio do Brasil aos EUA contra os comunistas, e os nazistas.

Carnaval no Fogo (1949)
Bandidos internacionais se hospedam em luxuoso hotel do Rio de Janeiro para realizar um grande golpe no assalto a turistas. Porém eles terão sérios problemas com os atrapalhados funcionários do hotel. Um resumo simples, mas que diz tudo sobre essa comédia chanchada. Que foi também a estreia de artistas como Jece Valadão, Wilson Grey e José Lewgoy no cinema brasileiro.

Contudo, apesar de bem humorado o filme não foi bem aceito pela crítica. O crítico do jornal Correio da Manhã, Antônio Moniz Vianna, descreveu o filme como “(…) a coisa mais idiota que o cinema nacional já produziu. (…)”. E infelizmente, marcou a vida de Grande Otelo com a terrível tragédia que foi a morte de seu filho e esposa.

Apesar das tragédias, é importante valorizar os primórdios do cinema nacional, mesmo que fossem as coisas mais idiotas já feitas.

Orfeu (1999)
Aqui o poeta, Vinicius de Moraes, adapta o mito grego de Orfeu e Eurídice para o Brasil, em uma favela do Rio de Janeiro, na época do Carnaval. O filme é uma história romântica sobre o amor impossível de Orfeu, um compositor de escola de samba, e a jovem e bela Eurídice. O amor entre eles é puro e verdadeiro, mas impedido de acontecer por Lucinho, chefe do tráfico local, obcecado pela jovem, que perseguirá o casal. Caetano Veloso assina a música do filme.

Orfeu foi indicado a várias premiações ao redor mundo, e ganhando várias delas, como o prêmio de Melhor Filme no Festival Internacional de Cinema de Cartagena. E uma curiosidade! As imagens do Carnaval foram captadas no Sambódromo da Marquês de Sapucaí, com a escola de samba Viradouro, de Niterói.

Ó, Paí, Ó (2007)
O filme conta a história dos moradores de um animado cortiço do centro histórico do Pelourinho, em Salvador. Tudo se passa no último dia do Carnaval, em meio a muita música, dança e alegria. Até que Dona Joana, uma evangélica, incomodada com a farra dos condôminos, decide acabar com a festa, fechando o registro de água do prédio.

Compondo o elenco, Lázaro Ramos, Wagner Moura, Dira Paes, e muitos outros nomes do cinema nacional.

Apesar de ser um filme cômico, a denúncia sobre a violência, racismo, drogas que existe no Nordeste, e no país inteiro, é bem clara. Ao mesmo tempo que a obra enaltece a alegria do Carnaval, ele também fala da importância de se olhar mais a fundo pelas questões preconceituosas que acontecem todo dia.

Rio (2011)
Depois de ser levado por traficantes de animais ainda filhote, a arara azul, Blu, acaba chegando a Minnesota, nos EUA, onde é comprado por Linda, que o cria fora do seu ambiente natural. Blu nunca aprendeu a voar e para isso ele terá de fazer uma longa viagem, para o Rio de Janeiro, onde encontrará outra arara azul fêmea, chamada Jade Ambos fazem parte de um programa pra evitar a extinção das araras azuis.

Essa ótima animação distribuída pela 20th Century Fox, dirigida por Carlos Saldanha, que também participou da produção de Era do Gelo, trouxe uma visão muito divertida do Rio de Janeiro, e também sobre o sério problema de tráfico de animais que acontece no Brasil. Lotados de músicas super animadas, Rio também conta com uma cena antológica na Sapucaí durante o desfile das Escolas de Samba. A animação, que se tornou um grande sucesso mundial, arrecadou quase meio bilhão de dólares.

Damas do Samba (2013)
Em seu documentário, a diretora Susanna Lira aborda o papel da mulher no samba, oferecendo ao público uma retrospectiva do gênero musical. Poucos sabem como as mulheres tiveram um papel importantíssimo na história do Carnaval.

Tias, pastoras, musas, compositoras, passistas, madrinhas, carnavalescas, mulatas, intérpretes e até mesmo como operárias, inúmeras presenças femininas compõe a alma do Carnaval desde seus primórdios.

A diretora traz à frente de sua bateria a cantora Alcione, assim como Clara Nunes, Beth Carvalho ou Zicartola falando sobre o vislumbre da história do Carnaval.

Trinta (2013)
Dirigido por Paulo Machline, protagonizado por Matheus Nachtergaele, o filme conta a história do carnavalesco Joãozinho Trinta, desde sua vinda do Maranhão, até seu auge no carnaval do Rio de Janeiro. O filme mostra ainda as apresentações de balé de Trinta, a ida para o Salgueiro, o inovador desfile “O Rei da França na Ilha da Assombração”, até seu reconhecimento como artista.

Sem apelações, Trinta conta a história de um dos maiores artistas na história do Carnaval brasileiro. Além de detalhes da construção de carros alegóricos, feituras de sambas enredo, e outros elementos que constituem a maior festa carioca do ano.

Vai-Vai: 80 Anos nas Ruas (2015)
Acadêmicos do Salgueiro, Estação Primeira de Mangueira, e Portela, esses são os nomes de algumas escolas de samba do Rio de Janeiro, conhecidas por todo país. Só que ela não são as únicas. O documentário Vai-Vai: 80 Anos nas Rua, através de depoimentos de membros históricos e figuras da música brasileira, o documentário narra a história de uma das mais antigas e importantes escolas de samba paulistana que foi fundada em 1930 no bairro do Bixiga, na Cidade de São Paulo.

O filme foi premiado como Melhor Documentário Brasileiro na 35ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Mostrando um parte importante do Carnaval, fora do Rio.

Memória em Verde e Rosa (2016)
Documentário de Pedro von Krüger, Memória em Verde e Rosa conta as memórias de Tantinho, Nelson Sargento, Delegado e outros como artistas da icônica escola de samba, Estação Primeira de Mangueira.

Muito mais que um retrato do nascimento de uma escola de música, o filme mostra a história da comunidade da Mangueira. Que foi criada por negros expulsos da zonas metropolitanas do Rio de Janeiro. Um povo temperado no suor, esforço, e preconceito. A Mangueira faz parte não só da história do samba, mas também do Rio de Janeiro. E portanto, da história do Brasil.

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