Por Gabriel Alviano:

Godard volta aos cinemas com seu novo filme Imagem e Palavra. Com oitenta e oito anos ele continua com um discurso atual e crítica não só sobre o mundo contemporâneo, mas sobre o próprio cinema. Responsável por um dos grandes movimentos cinematográficos da história, Godard trabalha fortemente com a edição em cima do seu filme.

Logo no início do filme, uma mensagem avisa “A pedido do próprio diretor, alguns trechos não foram legendados”, deixando claro a tentativa do autor de impedir um completo entendimento de sua obra. Através da edição, Godard transforma, recria, reproduz diversas cenas, reportagens e até desenhos para criar um discurso e uma estética própria.

Imagem e Palavra não possui nenhuma cena gravada, sua remontagem se dá inteiramente por esses vídeos e imagens pré-existentes de diferentes lugares, refletindo sobre a nossa sociedade de maneira cínica. Em determinada parte, Godard joga a simples frase “A sociedade foi fundada sob um crime” certo tempo depois a frase “Religiões forjaram nossa sociedade”. Isso é repetido ao longo do filme através de diversas frases, que se complementam ou se anulam dependendo da perspectiva.

Todo o filme, é narrado pelo próprio diretor, trazendo reflexões sobre os momentos que o mundo passa hoje, em especial as guerras e crueldades que se passam no Oriente Médio. Com cenas de guerras e execuções colocadas em contextos diferentes do original junto de trilhas sonoras evidentemente realocadas em diferentes gêneros, Godard recria e leva o espectador a trabalhar diversas interpretações sobre a obra. Literalmente, imagens e palavras saltam durante a obra ajudam a construir o filme como um todo.

 

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